O início do julgamento «histórico» do ex-chefe de Estado da Guatemala e antigo chefe da «secreta» guatemalteca, acusados de crimes cometidos neste país centro-americano há mais de 30 anos, foi aplaudido pela responsável pelos direitos humanos da ONU
O início do julgamento «histórico» do ex-chefe de Estado da Guatemala e antigo chefe da «secreta» guatemalteca, acusados de crimes cometidos neste país centro-americano há mais de 30 anos, foi aplaudido pela responsável pelos direitos humanos da ONU a alta comissária para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu às autoridades da Guatemala que garantam a realização de um processo legal justo e independente, aplaudindo o facto de estar a arrancar este julgamento. Congratulo-me com o início deste julgamento histórico e espero que ele ajude a sinalizar a chegada da tão esperada justiça para milhares de vítimas de graves violações dos direitos humanos e crimes contra a humanidade cometidos durante o conflito assassino de 36 anos na Guatemala, sublinhou segunda-feira, 18 de março, a alta comissária, num comunicado de imprensa. Navi Pillay também apontou o facto de ser a primeira vez, em qualquer lugar do mundo, que um ex-chefe de Estado estava a ser julgado por genocídio por um tribunal nacional – e não pelo Tribunal Penal Internacional, como no caso de antigos governantes dos países dos Grandes Lagos, em África, ou das repúblicas da antiga Jugoslávia. O antigo Presidente Efraín Ríos Montt e o ex-chefe dos serviços secretos, José Mauricio Rodríguez Sánchez, estão acusados de cometerem genocídio e crimes contra a humanidade pelo seu papel no conflito da Guatemala, que se estendeu de 1960 a 1996, e onde se estima, de acordo com notícias, a morte ou desaparecimento de 200 mil pessoas.