Trocou o palácio de arcebispo por um apartamento modesto e viajava de autocarro nas ruas movimentadas de Buenos aires, na argentina. Do seu ministério pastoral destacam-se as preocupações em defender os mais pobres e vulneráveis
Trocou o palácio de arcebispo por um apartamento modesto e viajava de autocarro nas ruas movimentadas de Buenos aires, na argentina. Do seu ministério pastoral destacam-se as preocupações em defender os mais pobres e vulneráveis Foi uma surpresa para muitos dos especialistas mas uma lufada de ar fresco na Igreja Católica, para a generalidade da comunidade cristã. Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, entrou no Conclave fora da lista de favoritos e saiu como o primeiro Papa da américa Latina, e o primeiro Sumo Pontífice não europeu dos tempos modernos. Quem o conhece é unânime em afirmar que é uma pessoa simples, com uma visão prática da pobreza. Este sinal de humildade pôde ser comprovado logo na primeira aparição pública, quando pediu aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano, que rezassem por ele, antes de lhes dar a bênção apostólica. Quando foi nomeado cardeal, segundo a imprensa internacional, tinha convencido centenas de argentinos a não irem a Roma celebrar a nomeação, sugerindo-lhes que dessem o dinheiro da viagem aos pobres. O intelectual jesuíta, que será conhecido como Papa Francisco I, viajava de autocarro na capital da argentina, Buenos aires, e tinha trocado o palácio de arcebispo por um apartamento modesto, onde ele próprio preparava as refeições. Trata-se de um defensor dos pobres e dos mais vulneráveis, que vai continuar a transmitir uma mensagem de amor e de compaixão, afirmou o Presidente dos Estados Unidos da américa, Barack Obama, em reação à escolha do Colégio Cardinalício. Bergoglio nasceu em Buenos aires a 17 de dezembro de 1936 e tornou-se sacerdote aos 21 anos, durante os estudos na Faculdade de Teologia do colégio de São José, em São Miguel de Tucuman (norte da argentina). Foi nomeado cardeal pelo Papa João Paulo II, a 21 de fevereiro de 2001. Em 2010, assumiu-se como um dos mais fortes opositores à decisão das autoridades argentinas de legalizar o casamento homossexual, argumentando que as crianças precisavam de ter o direito a ser criadas e educadas por um pai e uma mãe. Há um mês, numa mensagem dedicada à Quaresma, publicada no site da arquidiocese de Buenos aires, afirmou que algo não ia bem na sociedade e na Igreja. Hoje somos novamente convidados a empreender um caminho Pascal para a vida, caminho (… ) que será incómodo mas não estéril. Somos convidados a reconhecer que algo não vai bem em nós mesmos, na sociedade ou na Igreja, a mudar, a converter-nos, alertou o então cardeal, numa comunicação dirigida a sacerdotes, pessoas consagradas e a laicos da arquidiocese. O novo Papa visitou esta quinta-feira, 14 de março, a basílica de Santa Maria Maior, em Roma, para uma oração dirigida a Nossa Senhora. Segundo informações do Vaticano, optou por não viajar na viatura tradicionalmente usada pelo Pontífice. À tarde, pelas 16h00 (hora de Lisboa), celebra a missa que encerra o Conclave, na Capela Sistina.