Dar poder às mulheres é a melhor estratégia para combater a fome no mundo, considera Olivier De Schutter, relator especial da Organização das Nações Unidas para o direito à alimentação
Dar poder às mulheres é a melhor estratégia para combater a fome no mundo, considera Olivier De Schutter, relator especial da Organização das Nações Unidas para o direito à alimentaçãoOlivier De Schutter, relator da ONU para o direito à alimentação, defendeu esta segunda-feira, 4 de março, que a melhor estratégia para reduzir a fome no mundo é aumentar a educação e os direitos das mulheres. Partilhar o poder com as mulheres é um atalho para reduzir a fome e a malnutrição e é o passo mais eficaz para concretizar o direito à alimentação, referiu Olivier De Schutter na apresentação do seu relatório Género e o direito à alimentação, em Genebra, na Suíça. O especialista citou estudos que provam que as hipóteses de sobrevivência de uma criança aumentam 20 por cento se for a mãe a administrar o orçamento familiar. Por isso, melhorar o nível de instrução das mulheres e consequentemente as suas perspetivas económicas (… ) constitui um dos fatores determinantes da segurança alimentar, sublinhou, segundo a agência Lusa. ao apresentar o relatório, este responsável pediu aos governos que tomem iniciativas que deem poder às mulheres, alertando que as barreiras à participação feminina na sociedade são ainda muitas.como um primeiro passo, o relator apelou à remoção de todas as leis e práticas discriminatórias que impedem as mulheres de aceder a recursos agrícolas como terra ou créditos. Durante a sua intervenção, pediu que as mulheres sejam aliviadas das responsabilidades domésticas, designadamente através da disponibilização de serviços públicos em áreas como os cuidados infantis, água e eletricidade. De acordo com a agência das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura (FaO), cerca de 870 milhões de pessoas têm fome em todo o mundo e mais de 1,5 mil milhões têm falta de alguns dos nutrientes básicos.