após o colapso do mercado imobiliário, os gestores de fundos de pensões norte-americanos têm investido fortemente na agricultura e na aquisição de terrenos nos países africanos. Os investimentos estão a pôr em causa a soberania alimentar
após o colapso do mercado imobiliário, os gestores de fundos de pensões norte-americanos têm investido fortemente na agricultura e na aquisição de terrenos nos países africanos. Os investimentos estão a pôr em causa a soberania alimentar apresentados como um meio importante para a luta contra a fome em África, os investimentos do setor financeiro norte-americano nos países africanos estão, na realidade, a prejudicar a soberania alimentar das nações escolhidas pelos gestores. Segundo um estudo do Oakland Institute, os fundos têm como objetivo único o lucro e os depositantes podem nem fazer ideia do impacto que estas atividades podem ter na vida das comunidades locais. após a crise financeira de 2007/2008 e do colapso do mercado imobiliário, os gestores de fundos de pensões dos Estados Unidos da américa parecem ter encontrado um novo setor lucrativo, investindo em terrenos agrícolas nos países africanos. Nos últimos anos, estima-se que tenham sido aplicados pelos americanos entre 10 a 25 mil milhões de dólares (entre sete a 19 mil milhões de euros) no setor agrícola e na aquisição de terras. Embora os investimentos sejam descritos como positivos para reforçar a disponibilidade de alimentos, verifica-se que na maior parte dos casos eles são prejudiciais para a segurança alimentar e para o meio ambiente, de acordo com os autores do estudo. a investigação obrigou a vários meses de pesquisa, com entrevistas a gestores de fundos e a análise a documentos públicos e confidenciais. as conclusões destacam a complexidade das movimentações financeiras, que em alguns casos se revelaram perturbadoras. Dos 23 gestores contactados pelo Oakland Institute apenas cinco aceitaram responder às perguntas. Escudando-se no segredo profissional, disseram apenas que concorrem para um mercado onde se podem fazer lucros enormes, contribuindo, ao mesmo tempo, para a produção de alimentos e para a luta contra a pobreza. Os investigadores ficaram com uma opinião diferente. Pelos dados recolhidos, consideram que a resposta à crise social não faz parte das estratégias dos fundos de investimento em agricultura. E que, tal como acontece com as transações das terras, é extremamente difícil obter informações públicas sobre este tipo de investimentos. Para os responsáveis do Oakland Institute, o imenso poder económico dos investidores, por si só, justificava que se soubesse qual o impacto que as suas atividades podem ter no desenvolvimento económico, na produção de alimentos, nos direitos das comunidades locais e no ambiente dos países onde estão a ser aplicados os fundos.