«amar a Igreja significa também ter a coragem de fazer opções difíceis, árduas, tendo sempre em vista o bem da Igreja e não nós mesmos», afirmou Bento XVI, na alocução da última audiência geral do seu pontificado

«amar a Igreja significa também ter a coragem de fazer opções difíceis, árduas, tendo sempre em vista o bem da Igreja e não nós mesmos», afirmou Bento XVI, na alocução da última audiência geral do seu pontificado

Foi uma Praça de São Pedro totalmente repleta de gente que recebeu Bento XVI, largamente aclamado, na última audiência geral do seu ministério petrino, nesta quarta-feira dia 27 de fevereiro. O Santo Padre começou o seu último discurso dando graças de todo o coração a Deus, que guia e faz crescer a Igreja, que semeia a sua Palavra, alimentando assim a fé do seu Povo e convidou todos a renovarem a sua firme confiança no Senhor, a confiarem-se como crianças nos braços de Deus, na certeza de que esses braços sempre nos sustentam. Bento XVI acentuou a ideia de que a Palavra de verdade do Evangelho é a força da Igreja, é a sua vida. E acrescentou: É esta a minha confiança, a minha alegria. Confessou que nestes quase oito anos houve momentos de alegria e de luz, mas também momentos não fáceis. Houve dias de sol e de brisa ligeira, dias de pesca abundante, mas também momentos de águas agitadas e vento contrário. Teve sempre, porém, a certeza que era o Senhor a guiá-lo. Porque a barca da Igreja não é minha, mas é do Senhor e Ele não a deixa afundar. É Ele que a conduz. Quis agradecer depois não só a Deus, mas a todas as pessoas que com ele colaboraram, porque um Papa nunca está sozinho na condução da barca de Pedro, embora lhe toque a primeira responsabilidade. Nunca me senti sozinho na (responsabilidade) de levar a alegria e o peso do ministério petrino. O Senhor pôs ao meu lado muitas pessoas que, com generosidade e amor a Deus e à Igreja, me ajudaram com a sua proximidade. E aqui o Papa mencionou expressamente os cardeais, cuja sabedoria, conselhos e amizade foram preciosos, e todos os que estão ao serviço da Santa Sé, muitos deles na sombra, no silêncio e na dedicação quotidiana, com espírito de fé e de humildade. Bento XVI agradeceu de todo o coração ao povo de Roma, sua diocese, mas também às numerosas pessoas de todo o mundo que nas últimas semanas lhe enviaram comoventes sinais de atenção, amizade e oração. Porque o Papa nunca está só, experimento-o agora uma vez mais, de um modo tão grande que toca o coração. O Papa pertence a todos e tantíssimas pessoas sentem-se muito perto dele. Confessou, mais uma vez que nestes últimos meses sentiu que as suas forças tinham diminuído e pediu a Deus com insistência, na oração que o iluminasse para tomar a decisão mais justa, não para o seu bem, mas para o bem da Igreja. Por isso, acrescentou, dei este passo na plena consciência da sua gravidade e também novidade, mas com uma profunda serenidade de espírito. amar a Igreja significa também ter a coragem de fazer escolhas difíceis, dolorosas, tendo sempre presente o bem da Igreja, e não nós próprios. Pedindo a todos que rezassem por ele e pelos cardeais que vão eleger o próximo Papa, a todos deu a sua última bênção papal. amanhã, Bento XVI terá ainda um encontro com os cardeais, e à tarde, de helicóptero, rumará a Castelgandolfo onde residirá nos próximos dois meses.