Crianças começam a trabalhar como pastores aos cinco anos, por necessidades de sobrevivência. a redução do trabalho infantil neste setor exige que sejam encontradas soluções alternativas
Crianças começam a trabalhar como pastores aos cinco anos, por necessidades de sobrevivência. a redução do trabalho infantil neste setor exige que sejam encontradas soluções alternativas a agricultura é o setor onde ocorre a maior parte do trabalho infantil a nível mundial e a pecuária representa 40 por cento da economia agrícola, revela um estudo da Organização das Nações Unidas para a agricultura e alimentação (FaO), divulgado esta segunda-feira, 25 de fevereiro. Segundo o relatório, o ramo da pecuária representa, pelo menos, uma fonte parcial de rendimentos e de segurança alimentar para 70 por cento dos 880 milhões de pobres rurais no mundo que vivem com menos de um dólar por dia. E é onde se tem feito menos para combater o trabalho juvenil. a crescente importância da pecuária na agricultura significa que os esforços para reduzir o trabalho infantil devem concentrar-se sobretudo nos fatores que conduzem a trabalhos prejudiciais ou perigosos para as crianças neste setor e, ao mesmo tempo, devem respeitar e proteger os meios de subsistência das famílias rurais pobres, afirmou Jomo Sundaram, assistente do diretor-geral do Departamento de Desenvolvimento Económico e Social da FaO. De acordo com o estudo, muitas situações identificadas como de trabalho infantil por normas internacionais ocorrem na agricultura familiar não regulamentada. Durante séculos, as comunidades pastoris têm envolvido os seus filhos no cuidado do gado da família, pelo que o futuro e a sobrevivência de uma família de pastores assentam na transferência de conhecimento local complexo de pais para filhos, refere o documento. Uma série de pesquisas complementares indica que, em muitos países, o envolvimento dos menores no pastoreio pode começar muito cedo, entre os cinco e os sete anos. as condições de trabalho variam bastante. algumas crianças podem pastorear algumas horas por semana e frequentar a escola ao mesmo tempo, outras têm de pastorear durante dias seguidos, às vezes longe de casa, e sem qualquer possibilidade de escolaridade. Há ainda casos de trabalho escravo ou forçado. Para combater o fenómeno, os autores do relatório recomendam que se trabalhe diretamente com as famílias para as sensibilizar sobre tarefas relacionados com o gado que são apropriadas às idades das crianças e aceitáveis para elas, em oposição às tarefas que as podem prejudicar ou interferir com a sua escolaridade. E sugerem a criação de medidas inovadoras, como a aprendizagem à distância; escolas móveis, incluindo internatos; programas de alimentação escolar ou de transferências de dinheiro; escolas de campo pastoris e escolas de campo para a agropecuária.