a taxa de analfabetismo supera os 50 por cento, faltam milhares de professores e as salas de aula são insuficientes. as crianças que nasceram durante a guerra enfrentam ainda outro problema: não têm documentos de identificação
a taxa de analfabetismo supera os 50 por cento, faltam milhares de professores e as salas de aula são insuficientes. as crianças que nasceram durante a guerra enfrentam ainda outro problema: não têm documentos de identificaçãoainda a recompor-se social e economicamente da guerra civil que fustigou o país nos últimos anos, a Costa do Marfim enfrenta agora problemas novos, sobretudo no setor da Educação. Das soluções que vierem a ser aplicadas poderá depender o futuro de várias gerações e da própria nação. Para já, a única certeza que existe é que mais de metade da população não sabe ler nem escrever. E que, um pouco por todo o país, há carência de professores, escasseiam as salas de aula e falta muito equipamento escolar. a educação dos jovens é um dos maiores desafios, afirma Michael Miano, um dos missionários da Consolata que trabalha na Costa do Marfim. a juventude tem uma grande vitalidade e uma enorme capacidade de ação, mas necessita de muita formação, adianta o sacerdote, salientando a necessidade de se aproveitar a esperança e dinamismo dos mais jovens para que as gerações futuras não se fiquem pelas coisas fúteis. O Ministério da Educação marfinense reconheceu, recentemente, que faltam perto de 3. 000 professores no sistema educativo e que o parque escolar se encontra deficitário.com a falta de urbanística escolares, muitas das salas de aula projetadas para acolherem 25 estudantes estão neste momento com uma lotação de 40 ou mais alunos. ao contrário, na região oeste, onde se verificou um êxodo maciço de pessoas para a Libéria, muitos estabelecimentos de ensino tiveram que fechar por falta de educandos. Um outro desafio que o país está a enfrentar no rescaldo dos confrontos pós-eleitorais prende-se com a falta de documentos de identificação de dezenas de milhares de crianças, nascidas durante a guerra civil. as famílias deixaram de levar a sério o registo dos bebés e a falta de dados de identificação dos cidadãos tornou-se num grave obstáculo nas regiões onde o Estado esteve ausente, entre 2002 e 2010. a dimensão do problema começou a atingir proporções alarmantes à medida que essas crianças foram avançando nos estudos e foram impedidas de avançar para o ensino secundário por não terem certidão de nascimento. Neste caldo de contrastes e dificuldades, os missionários da Consolata vão contribuindo, como podem, para o enriquecimento educativo do país. Em Sago, uma pequena localidade a 200 quilómetros de abidjan, capital económica, mantêm em funcionamento uma escola primária, que acolhe 256 alunos e dá trabalho a seis professores e um estagiário. Para assegurar que as crianças se mantêm na escola durante todo o dia, foi necessário criar uma cantina, para servir refeições. Se os menores continuassem a ter que ir almoçar a casa, muitos deles dificilmente regressavam à escola da parte da tarde, contou o professor Kaffet Guy Serge à Fátima Missionária. O programa curricular do estabelecimento contém as disciplinas obrigatórias, desde a matemática às ciências, mas contempla também outras matérias, como os trabalhos oficinais, a música e a dança. Os alunos podem ainda frequentar a catequese. No futuro, os professores idealizam voos mais altos. Sonhamos com as novas tecnologias, com a instalação da internet na escola, com computadores para os docentes e com uma biblioteca, revela Kaffet Guy.