Moonjung Kim, missionário da Consolata e pároco de Soplin Vargas, recorda o dia em que visitou pela primeira vez a comunidade peruana, descreve o que mudou nos últimos dois anos e revela os sonhos que tem para esta missão
Moonjung Kim, missionário da Consolata e pároco de Soplin Vargas, recorda o dia em que visitou pela primeira vez a comunidade peruana, descreve o que mudou nos últimos dois anos e revela os sonhos que tem para esta missãoO padre Moonjung Kim é originário da Coreia do Sul e Missionário da Consolata. Chegou à Colômbia em 2008, para fazer a sua especialização, e foi destinado a trabalhar no sul do país, com comunidades indígenas. Depois da sua ordenação sacerdotal, em 2011, seguiu para o Peru, para acompanhar de perto a população de Soplin Vargas e as 34 comunidades indígenas da região. Nesse mesmo ano foi nomeado pároco da comunidade e ficou responsável pela nossa equipa missionária. Sempre com um sorriso nos lábios, conversou connosco acerca dos seus sonhos e desejos para esta nova e desafiante missão. Fátima Missionária Como é que um missionário coreano opta por viver na selva amazónica e com as populações indígenas? Moonjung Kim Sou missionário e isso significa que o meu trabalho é anunciar a Palavra de Deus no coração das pessoas, sem olhar a etnias. O importante é mostrar que a Palavra de Deus vive connosco. FM Quando visitou Soplin pela primeira vez? Lembra-se do que sentiu? MK a primeira vez que visitei Soplin foi durante Semana Santa de 2010. Encontrei um cenário em que as pessoas lavavam a roupa, tomavam banho e bebiam água no rio Putumayo. Havia muitos insetos incómodos, a eletricidade aparecia apenas uma hora por dia e por setores, ou seja, por bairros. E ainda não tinham construído o Centro de Saúde. Enfim, era diferente. O que senti? Senti que Deus me estava a chamar naquele momento e para aquele lugar. FM Que mudanças se verificaram nos últimos dois anos? MK Soplin optou por um caminho de desenvolvimento. Já tem centro de saúde, banco, internet e rede de telemóvel. a luz já chega desde as oito da manhã até às 13h00 e à tarde, das 18h00 às 22h00. Mas atenção, este desenvolvimento ainda beneficia pouco os nativos. FM O que significa para si, um missionário tão jovem, ser nomeado pároco e levar para a frente uma missão que começa a dar os primeiros passos? MK É uma responsabilidade muito grande. acredito que Deus tem preferência pelos mais pequenos e pobres e não pelos ricos e poderosos, e por isso estou a trabalhar neste lugar. Considero que o resultado é mais compensador quando trabalhamos com todo o esforço e seguindo a Palavra de Deus. FM Quais os seus sonhos para a missão de Soplin? MK O meu primeiro sonho é viver em Soplin. atualmente, por ainda não termos uma casa, habito em Puerto Leguízamo (Colômbia), acompanhando sempre que possível, o Copi e a Vivi [casal de leigos missionários da Consolata a trabalhar em Soplin Vargas], assim como as pessoas do Perú. Mas esta situação dificulta muito o trabalho, pois as comunidades ficam privadas de Eucaristia, da catequese, e não posso visitar as casas nem as comunidades. O segundo sonho, é conseguir erguer a Igreja. Contudo, temos que trabalhar mais duro para que os locais se convençam que é possível. FM Que mensagem gostaria de transmitir a todos os que apoiaram o projeto Uma maloca para todos, em 2012? MK Quero agradecer o apoio a todos os que contribuíram para o projeto e de forma especial à Família Missionária da Consolata e à família do Copi e da Vivi. Graças a estas ajudas materiais e espirituais, conseguimos estar a trabalhar nesta missão, tão difícil e isolada. Peço, por isso, que continuem unidos a nós, três jovens que dão os primeiros passos nesta missão.