Comunidade Mapuche exige ao governo e à sociedade chilena que peçam perdão à população indígena pelos danos económicos, patrimoniais e culturais infligidos nos últimos séculos
Comunidade Mapuche exige ao governo e à sociedade chilena que peçam perdão à população indígena pelos danos económicos, patrimoniais e culturais infligidos nos últimos séculosO porta-voz do Conselho de Todas das Terras, aucán Huilcamán, considera que a autodeterminação do povo mapuche é um processo que está em marcha e já não pode voltar atrás. Mesmo não estando na agenda do governo e dos partidos, a luta pela autodeterminação é irrevogável. Já a anunciámos e agora estamos a materializá-la, afirmou o responsável, numa reunião em Temuco, no Chile, em que participaram perto de 500 dirigentes nativos mapuche. O encontro foi convocado na sequência de uma série de atos de violência na região de araucanía, onde a população indígena se vê obrigada a viver em condições de pobreza e abandono por parte do Estado, está privada das suas terras ancestrais e sofre constantemente a repressão das forças de segurança. De acordo com Huilcamán, a operação desencadeada pelo governo entre 1861 e 1883, para assumir o controlo do território que os indígenas tinham conseguido manter, resistindo a três séculos de colonização espanhola, tem que ser classificada como um crime contra a humanidade. O Estado tem que ressarcir os danos causados e a sociedade civil chilena deve pedir perdão ao povo mapuche, para que se inicie uma relação justa, solidária e duradoura. a cimeira das organizações da etnia mapuche no Chile realizou-se após uma série de ataques incendiários, derivados da tensão crescente entre os indígenas e as empresas agrícolas e florestais que exploram o território. O último incidente grave ocorreu a 4 de janeiro, em Vilcún, e provocou a morte a dois agricultores durante um incêndio nas suas propriedades. O fogo registou-se no aniversário do assassinato de um jovem mapuche por parte de um polícia.