O contacto diário com a população de uma região votada ao abandono, na República Democrática do Congo, tem proporcionado vários momentos de encontro com Jesus ao missionário Rinaldo Do
O contacto diário com a população de uma região votada ao abandono, na República Democrática do Congo, tem proporcionado vários momentos de encontro com Jesus ao missionário Rinaldo Do Isiro, na República Democrática do Congo, era uma cidade importante pelo café, o algodão, o óleo de palma e o arroz, mas a partir de 1974, com a nacionalização e as várias guerras, quase tudo ficou destruído; as estradas transformaram-se em pistas ou caminhos, o comboio parou e a região ficou fora do progresso que nos anos 60 parecia risonho. apesar disso, as linhas do caminho de ferro continuam a existir e são limpas pelo menos na cidade, na esperança que um dia o comboio volte. Este mês as ervas e os arbustos das linhas foram cortados, mas o comboio infelizmente não chega e, segundo dizem, nunca mais chegará. O transporte de pessoas e de mercadorias faz-se com a bicicleta ou então com a moto ou alguns camiões. Tantos sonhos e esperanças foram em vão. Neste tempo, também nós cristãos vivemos a grande esperança da vinda do Menino Jesus! a sua chegada é certa e a sua presença é quotidiana: depende de nós, se o soubermos acolher, encontrar e seguir. a Isiro, Jesus já chegou há 100 anos, com a entrada dos primeiros missionários belgas, que anunciaram a Boa Nova. Desde então, esta Igreja jovem continua a proclamar que Deus é amor e que cada Natal é uma ocasião de alegria e de paz, no meio de tanta miséria, doenças, incertezas e medos. Desde novembro que me encontro novamente em Isiro e embora saiba que Jesus já veio e voltará um dia, vou-me encontrando com Ele frequentemente. São tantas as ocasiões para estar com Ele, desde as seis da manhã, com a celebração da missa, até à noite. Visitando num destes dias os doentes, entrei numa simples choupana e encontrei o papá Martin, estendido no seu leito de palha há já alguns anos, por causa do rebentamento de uma bomba. a seu lado estava a mulher, Marie, já avançada em idade, que cuida dele e o cura com amor, apesar de todas as dificuldades. aqui não é como na Europa, onde há água em casa, lençóis limpos todos os dias, fraldas, luvas, máquinas de lavar, enfermeiras ou assistentes sociais. O amor e a paciência da mamã Marie são o sinal de que Jesus já veio. E depois, há dias, Miriam, uma jovem que quer ser missionária, veio ter comigo acompanhada de Matondo, uma pequena surda-muda. Ofereci-lhe um rebuçado, mas reparei que não o levou à boca. Perguntei-lhe se tinha medo do padre branco. Não – disse-me ela -, levo-o para casa para o partilhar com o meu irmãozinho. Jesus é diferente do comboio de Isiro. Ele já chegou, chega e chegará um dia. Depende de nós sabê-lo acolher. Deixemo-nos deslumbrar e interpelar pela sua presença e pelo seu amor, apesar das preocupações, das doenças e da crise económica.