a formação é uma das grandes preocupações do povo moçambicano. Também a Igreja se preocupa com a preparação dos seus pastores: precisa de mais pastores, mas também de maior qualidade.
a formação é uma das grandes preocupações do povo moçambicano. Também a Igreja se preocupa com a preparação dos seus pastores: precisa de mais pastores, mas também de maior qualidade. Nos últimos dois anos tenho estado em contacto com os seminários (filosófico e teológico) de Moçambique, em Maputo. Há um investimento grande na formação académica dos futuros pastores da Igreja local. Quando se fala de África, normalmente é uma constante fazer notar a vitalidade da Igreja e a abundância de vocações. Devo, porém, dentro do meu pessimismo, notar que as dioceses de Moçambique em questão de vocações não estão lá muito bem servidas.
a primeira constatação é que somente cerca de um terço dos seminaristas, que ingressam no seminário filosófico, faz a passagem para o seminário teológico. Neste a percentagem de desistências também é alta. O resultado é que a maioria das dioceses não tem padres suficientes para cuidar das necessidades pastorais e nem sequer com o auxí­lio dos missionários conseguem preencher as lacunas. Há mesmo dioceses, como a de Inhambane, que não têm clero local.
Outro facto é que muitos dos seminaristas chegam ao seminário com grandes deficiências do ponto de vista académico, que só conseguem corrigir em parte. é verdade que para um moçambicano a língua portuguesa, mesmo sendo língua oficial, é uma língua estrangeira. O domí­nio da língua é um dos principais problemas com o qual, quem trabalha na formação académica, se vê confrontados. Não é um problema apenas do seminário. é frequente encontrar, nos jornais, erros graves de sintaxe e de ortografia. Há já quem comece a argumentar que, em Moçambique, não se fala português, mas moçambicano (ou moçambiquês?).
Graves deficiências no domí­nio da língua provocam graves deficiências na formação académica. Quem tem dificuldades em ler e compreender os textos, terá dificuldades acrescidas em assimilar os conteúdos da matéria. Já ouvi professores comentar que, nas universidades públicas, o nível é ainda inferior, coisa que não posso certificar.
a Igreja em Moçambique insiste na necessidade de formação e tem feito esforços neste sentido. Quando a Igreja fala em formação, pensa nos animadores e catequistas da Igreja ministerial. Mas deverá pensar e reflectir sobre a formação do clero, tanto mais que se tem vindo a acentuar a vertente clerical da Igreja.
Sem dúvida, uma das urgências da Igreja em Moçambique é a formação. é uma área difícil de gerir, tanto mais que as ajudas quando vêm, são para construções e para projectos agrícolas. é mais difícil conseguir apoios para cursos de formação, sobretudo se são catequistas e seminaristas. Não podemos esquecer que uma formação de qualidade requer meios financeiros. Basta pensar na guerra constante entre o governo português e os estudantes universitários por causa das propinas.
O melhoramento do nível académico requer investimentos económicos e paciência para a realizar por etapas. as dioceses estão a fazer algum esforço, pois a maioria delas investem no envio de alguns dos seus sacerdotes para estudar no estrangeiro, de maneira complementarem a formação. Para a Igreja em Moçambique, os pastores são uma prioridade. Há a necessidade urgente de aumentar a sua quantidade e qualidade.

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