a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil escreve uma mensagem de solidariedade emocionada e profética ao bispo de Xingu, a propósito da morte da irmã Dorothy Stang.
a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil escreve uma mensagem de solidariedade emocionada e profética ao bispo de Xingu, a propósito da morte da irmã Dorothy Stang. Texto integral da mensagem da presidência da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), pela morte da irmã Dorothy Stang, a Dom Erwin Krí¤utler, bispo de Xingu, enviada a 14 de Fevereiro de 2005.

Estimado Dom Erwin,

a Presidência da CNBB recebeu com imensa dor a notícia do brutal assassinato de Irmã Dorothy Stang, da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora (Notre Dame), no sábado, dia 12 de fevereiro, em anapu, Pa.

Infelizmente, a religiosa foi mais uma vítima da luta dos pobres pela terra para trabalhar e viver e da preservação da natureza, onde entram tantos interesses em jogo. Ela o fez como missionária corajosa e dedicada e como testemunha do Evangelho de Jesus Cristo, apesar dos riscos por ela conhecidos, que seu trabalho envolvia.

Este vil assassinato, como tantos outros que não são divulgados, traz novamente à tona, de maneira trágica, a questão da violência no campo e a urgência de soluções para dívidas sociais tão antigas e graves, como a verdadeira reforma agrária, a definição clara das áreas de preservação ambiental, a demarcação das terras indígenas, a presença efectiva da autoridade pública nas novas áreas de ocupação das terras e a vigilância atenta para que a lei seja cumprida.

a morte de Irmã Dorothy aconteceu, por coincidência, quando no Brasil iniciamos a Quaresma, com o apelo “Convertei-vos e crede no Evangelho”, e lançamos a Campanha da Fraternidade com o tema “Solidariedade e Paz”.

Tragicamente, a morte violenta de Irmã Dorothy vem a confirmar a urgência de uma séria reflexão nacional sobre as causas da violência e as maneiras de superá-la; põe em evidência a necessidade de aprofundar a solidariedade social no Brasil, através de políticas públicas para promover o respeito à dignidade e aos direitos fundamentais de cada pessoa humana e para assegurar justiça e paz para todos; por outro lado, põe em evidência a importância de desarmar as mãos e os Espíritos, sem sucumbir a intimidações, num paciente esforço para promover uma verdadeira cultura da paz.

a violência nunca será capaz de construir uma sociedade de paz, mas somente a cultura da solidariedade, do respeito e da justiça. Que o sacrifí­cio da vida de Irmã Dorothy não seja em vão e que seu exemplo continue sendo um estí­mulo para todos os que se dedicam aos pobres, aos pequenos, aos excluídos e aos desarmados, e para os que acreditam na força da verdade e do amor.

a CNBB está unida na solidariedade e na prece aos familiares de Irmã Dorothy, à Congregação das Irmãs de Nossa Senhora e a toda a sua Prelazia. Que Deus acolha Irmã Dorothy na vida eterna e lhe dê o prêmio prometido por Jesus aos que se dedicam aos mais pequeninos dos irmãos de Jesus (cf Mt 25, 40). “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus (Mt 5, 9).

Cardeal Geraldo Majella agnelo
arcebispo de São Salvador da Bahia
Presidente da CNBB
Dom antônio Celso de Queirós
Bispo de Catanduva – SP
Vice-Presidente da CNBB
Dom Odilo Pedro Scherer
Bispo auxiliar de São Paulo
Secretário-Geral da CNBB

Fonte: CNBB

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