Evaristo é um idoso, um dos baptizados mais antigos da paróquia. Cativa pela simpatia e boa disposição com que cumprimenta quem passa diante da sua casa
Evaristo é um idoso, um dos baptizados mais antigos da paróquia. Cativa pela simpatia e boa disposição com que cumprimenta quem passa diante da sua casaPertence à paróquia de Santa Isabel de Guiúa, Inhambane, e mora na aldeia de Maunza, numa pequena palhota à beira da estrada de terra vermelha que vai para a praia de Guijata. Vive com a mulher, cega, e dois dos seus netos. Evaristo é um dos nossos pobres que integra a lista daqueles que mensalmente recebem um cabaz de sobrevivência no Guiúa. É um amigo. Cativa pela simpatia, pela boa disposição, pela alegria com que cumprimenta, seja nas nossas passagens de carro pela estrada, em frente à sua casa, seja nos dias de celebração na sua comunidade, seja ainda quando, mensalmente, se dirige à missão para recolher o seu magro cabaz de alimentos.
Há dias, celebrei um casamento na sua comunidade. Depois da missa seguiu-se o almoço em casa da noiva. Um verdadeiro arraial que começa na véspera e só acaba no dia seguinte. Uma festa grande, bonita, com muita música e dança, participada por todos. Não podia faltar o nosso amigo Evaristo. E mais uma vez nos pudemos saudar.
Chamando-me confidenciou-me todo contente: Quando me levantei, não sabia o que vestir. Pouco depois passou um sul-africano e deu-me calça, camisa e casaco!. Depois, desabafou: Branco tem coração bom!. Não resisti sem fotografar o nosso Evaristo, orgulhoso das suas roupas novas.
Extraordinário como este homem pobre, que enfrenta tantas dificuldades, consegue retirar tanta alegria das pequenas coisas: das saudações velozes de quem passa de carro, rasando a sua palhota; dos momentos de convívio, nos dias de celebração dominical; dos encontros mensais no Guiúa e tantos outros. No homem que passou e lhe deu a roupa, viu um coração bom. Só um coração grande, como o do Evaristo, tem a sabedoria de se fazer raso. abrindo-se, descobre o bem, no avesso da sua pobreza.