Podemos comparar a nossa vida a uma viagem no tempo, podendo ser curta ou longa, utilizando o meio mais adequado para percorrer esse espaço que é o nosso destino.
Desde que atingimos o uso da razão, começamos a tomar decisões, embora a maior parte seja condicionada pelas pessoas, pelas circunstâncias e por outras que poderão ser do foro pessoal ou social. Uma coisa é certa, procuramos obter sempre o melhor da vida, de uma forma ou de outra. No entanto, o dia-a-dia é talhado em função de obrigações, deveres, compromissos, pouco sobrando para pensar. É nosso dever não “aceitar” todas as imposições a que, quantas vezes acedemos sem hipótese de recusar por qualquer motivo. O quotidiano torna-se fastidioso, quando é repetido indefinidamente, há necessidade de “inventar” o aligeiramento das responsabilidades, sem contudo deixar de as cumprir.
Um conhecido actor humorístico, António Feio, recentemente falecido após uma doença prolongada, fez um comentário à vida que nos deve fazer pensar “Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento, agradeçam e não deixem nada por dizer, nada por fazer”. Apesar de não acreditar em Deus - assim o afirmou - acreditava na vida e incentivava as pessoas nesse sentido. E a sua abordagem a uma doença que o limitava e a que acabou por sucumbir, foi prova disso mesmo. Morreu a trabalhar, fazendo o que mais gostava.
Deus que é amor, concedeu-nos uma vida para viver, mas também para desfrutar o que de mais belo ela tem, teremos que procurar essa beleza também no quotidiano. Para isso temos que encontrar tempo para a reflexão e agir com o coração, pois os “olhos” do coração não enganam ninguém. Seremos suficientemente audazes para o fazer? Claro que sim e então teremos oportunidade de olhar para a vida, não como um fardo, mas como algo de maravilhoso que merece ser vivido, até nos pormenores que nos parecem sem importância.