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Fátima Missionária Voltar  homepage de portugal

 
18º Domingo Comum | Ano C | 1 de Agosto de 2010
Naufragar na abundância
A liturgia hodierna aponta para uma realidade que o mundo moderno oculta com habilidade: os nossos bens têm um carácter transitório e caduco

É insensato fechar os olhos à evidência. A nossa sociedade está profundamente marcada pelo consumismo, pelo “usa e deita fora”. Todavia, apegamo-nos facilmente a bens que nos transmitem segurança e embalam o nosso «eu». Não se trata de desprezar o mundo, mas não podemos esquecer que os bens materiais não são, de modo nenhum, uma resposta à última nostalgia do homem, sublinha a primeira leitura. Por seu lado, a carta aos Colossenses lembra aos discípulos de Cristo a responsabilidade que eles têm perante os problemas do tempo presente. A sua solução só poderá ser encontrada numa visão que tenha em conta a vida que vai para além dos horizontes das realidades terrenas actuais. O evangelho de São Lucas mantém o mesmo tom: a vida do homem não depende dos bens que possui. O evangelista dirige-se aos cristãos ricos das primeiras comunidades, que possuíam bens em abundância e boa fama, mas esqueciam os seus deveres de assistência e de solidariedade para com os seus irmãos pobres e necessitados. O juízo de Deus chegará quando não se espera.

É típico do proprietário rico exultar com a abundância da sua colheita, preocupar-se em guardar os seus bens em celeiros grandes e seguros. Com tais preocupações na hora do sucesso, esquece que não existe fortuna terrena sem a ajuda de Deus e, por conseguinte, não agradece ao Criador pela sua generosidade. A abundância da colheita cega o homem e não lhe permite reconhecer Aquele que é a origem e a fonte de todos os bens. A ingratidão é uma marca muito presente num mundo auto-suficiente.

Deixando-se submergir pelas preocupações materiais, o homem corre o sério risco de naufragar na abundância dos seus bens. A sua segurança material dá-lhe a ilusão de não precisar de ninguém: nem dos outros, nem de Deus. Com este espírito temerário, já não precisa de pedir nada a Deus. Mesmo sem se opor a Deus, vive e organiza a sua vida sem Deus. Seguro de si mesmo e confiado nos seus bens, o homem transforma-se facilmente num adorador de ídolos, prisioneiro de um horizonte exclusivamente terreno.

Elísio Assunção | FÁTIMA MISSIONÁRIA
30-07-2010 20:46

       
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