Portugal
«Ser médico obriga a uma enorme dedicação ao bem-comum»
Texto J.B. | Foto Lusa | 23/03/2020 | 16:20
Num momento de pandemia, o psiquiatra Pedro Afonso lembra aos jovens que se preparam para ser médicos, que esta é uma profissão que «obriga a muitos sacrifícios», e que é completamente dirigida ao bem-estar de cada pessoa
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Numa mensagem dedicada aos efeitos da pandemia provocada pela Covid-19, Pedro Afonso, psiquiatra e presidente da Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP), dirige-se aos associados deste organismo, e, de modo particular aos alunos de Medicina, para sensibilizar os mais novos para as duras características da profissão que estão a abraçar.

«Olhem para este momento trágico com um forte sentido de responsabilidade face à vocação profissional que escolheram abraçar, pois ser médico obriga a muitos sacrifícios e uma enorme dedicação ao bem-comum», escreve o responsável na sua mensagem. Pedro Afonso afirma que o mundo se encontra atualmente a «atravessar uma crise profunda devido a esta terrível pandemia», e destaca os esforços daqueles que estão na linha da frente para conter esta doença.

«Diariamente, chegam-nos relatos e testemunhos impressionantes de quem está no terreno a lutar contra esta pandemia. Muitos médicos, enfermeiros e auxiliares que estão na linha da frente, apesar de estarem a dar o seu melhor, são confrontados com enormes dificuldades que vão desde os escassos recursos materiais e humanos, até ao sentimento de impotência para salvar os casos mais graves. Estou certo que muitos de nós estarão também envolvidos diretamente nos hospitais e nos centros de saúde a tratar e a cuidar não apenas dos doentes infetados com covid-19, mas também dos outros doentes que não podem ser esquecidos, nem prescindir dos nossos cuidados», lembra o responsável.

Pedro Afonso afirma que esta é uma ocasião para se valorizar «a vida e a solidariedade para com os mais frágeis», e que pode ser ainda uma oportunidade para corrigir anteriores lacunas. «Sabemos que, na história dos países, as grandes crises são também momentos de mudança e de reconstrução, conduzindo muitas vezes a períodos de crescimento e prosperidade. Na vida das pessoas passa-se algo semelhante. As grandes mudanças são habitualmente antecedidas por um período de sofrimento, uma vez que ninguém muda se `estiver tudo bem´. Os momentos de crise acabam por se tornar períodos de reflexão e de crescimento individual, nos quais se hierarquizam prioridades, e se fazem novas escolhas. Acredito que para muitos, confrontados com este período de provação e de grande fragilidade, esta é uma boa oportunidade para se aproximarem de Deus e de mudarem as suas vidas, convertendo-se», refere o psiquiatra.

O responsável conclui a sua mensagem, pedindo aos associados da AMCP para darem um testemunho de fé, «transmitindo conforto e esperança» aos «doentes, familiares e amigos, garantindo-lhes que esta crise é temporária e será seguramente ultrapassada, inspirados com a certeza de que Deus nunca» abandonará ninguém.

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