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Timor-Leste
População sem dinheiro para uma alimentação nutritiva
Texto F.P. | Foto Lusa | 01/03/2020 | 11:39
Estudo revela que a maioria da população tem uma alimentação pobre e pouco diversificada. Dietas são geralmente centradas em alimentos base, como o arroz, com reduzida inclusão de vegetais e alimentos de origem animal
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As famílias em Timor-Leste conseguem ter uma dieta básica, mas apenas 15 a 37 por cento têm capacidade para comprar alimentos mais nutritivos, o que faz com que a maioria da população tenha uma alimentação pobre e pouco diversificada, revela um estudo divulgado esta semana pelo Programa Alimentar Mundial (PAM) e o Conselho Nacional de Segurança e Soberania de Alimentos e de Nutrição em Timor-Leste.

Os investigadores analisaram os custos médios da dieta base e da dieta nutritiva em vários municípios do país e concluíram que «quase todas as famílias conseguem satisfazer as suas necessidades energéticas», mas garantir uma «dieta nutritiva que satisfaça as necessidades de energia, proteína e micronutrientes é incomportável para a maioria» dos agregados familiares».

De acordo com os dados apurados, uma dieta que satisfaça minimamente os requisitos energéticos de um agregado familiar com cinco pessoas custa entre 32 e 60 dólares por mês (entre 29 e 55 euros). Já satisfazer as necessidades nutricionais completas teria um custo muito mais elevado de entre 158 e 211 dólares por mês (entre 145 e 193 euros), quando o salário mínimo do país ronda os 115 dólares (105 euros).

Regra geral, a dieta básica da maioria da população centra-se em alimentos como o arroz, com reduzida inclusão de vegetais e alimentos de origem animal, o que coloca em risco de desnutrição sobretudo as mulheres grávidas, bebés, crianças e adolescentes, devido à baixa ingestão de nutrientes.

Para contrariar esta situação, o estudo, entre outras coisas, recomenda ao governo que aumente o orçamento para a merenda escolar, para a ajudar a reduzir os gastos da família com a dieta mais nutritiva e garantir melhor alimentação às crianças e jovens. «É possível aumentar a percentagem de agregados familiares que seriam capazes de pagar uma dieta nutritiva se for implementado um pacote de intervenções bem concebidas de vários setores (educação, saúde, proteção social e agricultura)», defendem os investigadores.
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