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Alterações climáticas ameaçam tesouros arqueológicos
Texto F.P. | Foto Lusa | 12/01/2020 | 07:02
Província de Bamiyán enfrenta um ciclo de períodos de seca, seguidos por chuvas fortes e degelos de primavera mais intensos do que o habitual, o que aumenta o risco de erosão
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Depois de suportarem a fúria destrutiva dos talibãs e os saques dos assaltantes, os tesouros arqueológicos da província de Bamiyán, no Afeganistão, enfrentam agora uma nova ameaça, que se pode revelar mais esmagadora: as alterações climáticas. A região enfrenta condições meteorológicas fora do habitual, o que faz aumentar o risco de erosão.

Encravado no coração das montanhas Hindu Kush, o vale de Bamiyán – onde em 2001 os talibãs destruíram estátuas centenárias do Buda – continua a albergar uma rede de templos, mosteiros e pinturas budistas. É ali que está também a fortaleza de Shahr-e Gholghola, da época da rota da seda, e a cidadela de Shar-e Zohak, que segundo os especialistas correm o risco de destruição devido à erosão e ao clima cada vez mais agreste.

«Os processos de erosão são muito mais rápidos, as chuvas mais devastadoras e a erosão do vento mais forte, o que tem um impacto extremamente duro nos sítios [arqueológicos]», disse à agência France Press o diretor da Delegação Arqueológica Francesa no Afeganistão, Philippe Marquis.

Segundo o especialista, mitigar o impacto da erosão e os efeitos das alterações climáticas custaria milhares de milhões de dólares ao Afeganistão, mas o país, devastado pelo guerra, tem pouca capacidade para suporte essa carga. Recorde-se que a Iniciativa de Adaptação Global, dirigida pela Universidade Notre Dame dos Estados Unidos da América, classifica o Afeganistão no 173º posto entre os 181 países em termos de vulnerabilidade às mudanças climáticas e à capacidade de adaptação.
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