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Vacinação estagnou e os surtos de sarampo voltaram
Texto F.P. | Foto Lusa | 06/12/2019 | 17:35
O ano passado mais de 140 mil pessoas morreram por causa da doença. Agência das Nações Unidas alerta para o perigo das campanhas de desinformação sobre a vacinação, nas redes sociais
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As novas estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Centro dos Estados Unidos da América para Controle e Prevenção de Doenças indicam que em 2018 morreram mais de 140 mil pessoas em todo o mundo, por causa do sarampo. As taxas de vacinação estagnaram e os casos da doença aumentaram globalmente, com surtos arrasadores em todas as regiões.

Segundo a OMS, 86 por cento das crianças terão recebido a primeira dose da vacina através dos serviços de rotina do seu país em 2018, mas menos de 70 por cento receberam a segunda dose recomendada, o que leva a organização a concluir que «a vacinação não tem sido adequada para evitar surtos», muito por causa das «campanhas de desinformação» postas a circular nas redes sociais.

«A desinformação que se espalha pelos canais de media social está realmente a afetar as decisões dos pais sobre a vacinação dos filhos e o resultado é que as crianças estão a desenvolver sarampo e algumas estão a morrer», afirma a diretora de Imunização, Vacinas e Biológicos da OMS.

De acordo com Kate O’Brien, todos sabem «que existe uma vacina segura, eficaz, acessível e amplamente disponível para prevenir o sarampo, e ela existe há 50 anos. É realmente uma falha coletiva que esses surtos estejam a acontecer, com um aumento no número de casos e mortes, e o motivo é que as pessoas não são vacinadas».

Como exemplo das várias formas de desinformação, a especialista cita o arquipélago de Samoa, onde apenas 31 por cento da população da ilha tem imunidade contra o vírus. A situação resultou numa grande crise de saúde, com hospitais e clínicas sobrecarregados. Em 15 de novembro, o governo declarou o estado de emergência. No país de cerca de 196 mil habitantes, mais de 60 pessoas, principalmente bebés e crianças pequenas, morreram desde o início da epidemia.

Os novos dados da OMS revelam, que o ano passado, os piores impactos da doença registaram-se na África Subsariana, com 1,7 milhões de casos e mais de 52 mil mortes. Na região leste do Mediterrâneo foram detetados 2,8 milhões de casos e 49 mil mortes, e na região europeia, mais de 800 mil casos e 200 mortes. Os países mais afetados foram a República Democrática do Congo, Libéria, Madagáscar, Somália e Ucrânia.
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