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Líder yanomami recebe «Nobel Alternativo»
Texto F.P. | Foto Ana Paula | 05/12/2019 | 17:33
Davi Kopenawa liderou durante duas décadas a campanha do seu povo pela demarcação da Terra Indígena que forma a maior área de floresta tropical protegida por indígenas em todo o mundo
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«Quero ajudar meus irmãos indígenas pedindo às autoridades internacionais que pressionem o governo do Brasil a demarcar a terra de outros povos indígenas. Eu sempre lutei pelos direitos do meu povo yanomami e dos ye´kwana. Este prémio é uma nova arma para fortalecer a luta do nosso povo».

Foi com estas palavras que o líder e xamã yanomami, David Kopenawa, também conhecido como «Dalai Lama da Floresta», recebeu no passado dia 4, em Estocolmo, na Suécia, o prémio Right Livelihood, uma distinção apresentada como o «Nobel Alternativo».

Atualmente a exercer o cargo de presidente da Hutukura, uma associação que defende os direitos do povo yanomami, Kopenawa viajou pela primeira vez para fora do Brasil em 1989, quando a Survival Internacional (plataforma de apoio aos povos indígenas), que ganhou o prémio Right Livelihood daquele ano, o convidou a receber o galardão em seu nome na Europa.

Desde então, passou a viajar com frequência, fazendo campanha para proteger a Amazónia da destruição pela mineração, a pecuária, a exploração madeireira, a construção de estradas e também por incêndios. Por causa desta luta, tem sido ameaçado frequentemente por garimpeiros e políticos que visam explorar os recursos do território yanomami.

«Nos últimos 30 anos, Davi tornou-se o porta-voz de seu povo, da Amazónia, de toda a floresta tropical e dos povos indígenas em geral. E a ameaça à floresta está viva. O atual governo do Brasil está a tentar desfazer décadas, gerações de conquistas de direitos dos povos indígenas. Portanto, a ameaça nunca esteve tão viva», destacou o diretor da Survival International, Stephen Corry.
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