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Mais de 800 quilómetros quadrados de floresta perdidos num mês
Texto F.P. | Foto Felipe Werneck / Ibama | 08/11/2019 | 07:02
Estudo divulgado por investigadores independentes revela que a desflorestação da Amazónia brasileira aumentou 80 por cento em setembro deste ano, face ao mesmo mês de 2018
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A destruição da floresta na Amazónia brasileira continua sem dar sinais de abrandamento. Segundo os mais recentes dados divulgados pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazónia (IMAZON), em setembro deste ano foram perdidos 802 quilómetros quadrados de floresta, o que representa um aumento de 80 por cento em relação ao mesmo mês de 2018.

A maioria da desflorestação (48 por cento) ocorreu em terrenos privados, 31 por cento aconteceu em zonas de pequenas povoações, 14 por cento em áreas protegidas e sete por cento em terras indígenas. Os estados mais afetados pelo desmatamento foram o Pará (53 por cento), Rondónia, Amazonas, Acre e Mato Grosso.

Em agosto, a Amazónia brasileira sofreu os piores incêndios da última década, denunciados por organizações não governamentais internacionais que culparam o discurso anti-ecologista do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Os focos de incêndio diminuíram em setembro e outubro, embora tenham aumentado de forma preocupante no Pantanal, considerada uma das maiores áreas húmidas contínuas do planeta.

As organizações ambientais e de direitos humanos têm denunciado que por detrás do corte indiscriminado de árvores estão redes mafiosas, que queimam as áreas desmatadas para uso na pecuária e agricultura. Uma suspeita reforçada pelo relatório agora divulgado, que acusa os grupos criminosos de também usarem a violência contra defensores ambientais e líderes indígenas que vivem e protegem a região.

A semana passada, recorde-se, um «guardião da floresta» de uma reserva indígena no estado do Maranhão (nordeste) foi morto com tiros na cabeça e outro foi ferido, numa emboscada perpetrada por suspeitos de extração ilegal de madeira. Em reação a este assassinato, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) lembrou que as invasões de terras indígenas no Brasil aumentaram 44 por cento nos primeiros nove meses deste ano, coincidindo com a subida ao poder de Bolsonaro, e já excede os registados ao longo de 2018.
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