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Sínodo sobre a Amazónia
Violência contra povos indígenas debatida no Sínodo
Texto Jaime C. Patias | 13/10/2019 | 14:23
A crescente violência contra os povos indígenas foi tema de debate no encontro sinodal para a Amazónia, em Roma. «Eu não sei se teve algum ditador que fez o que fazemos com os povos indígenas e afros», questionou o arcebispo brasileiro de Porto Velho
O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) aproveitou as atividades paralelas ao Sínodo sobre a Amazónia para apresentar o Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, relativo a 2018. O instrumento foi trazido num momento em que o mundo volta os olhares para a floresta amazónica e para os povos que nela vivem. A publicação anual do CIMI constata o substancial aumento da grilagem, do roubo de madeira, do garimpo, das invasões e até mesmo da implantação de loteamentos em seus territórios tradicionais.

«Eu saí da minha aldeia e vim até esse espaço porque o nosso país virou as costas para nós. O governo pisa no nosso direito, retira nosso direito e leva para dentro das nossas aldeias a mineração, o agronegócio, a morte», comentou Jair Maraguá, líder indígena no Amazonas. «Eu peço que se faça alguma coisa pelos povos indígenas, pelos quilombolas, ribeirinhos, para aqueles que defendem a floresta, a Amazónia», apelou.

Elza Nâmnâdi, do povo Xerente, trouxe ao debate a realidade do Tocantins, estado com maior número de pressões por especulação imobiliária e exploração madeireira, segundo o relatório. «Sofremos devido às monoculturas, as plantações de cana de açúcar, de soja e eucalipto. Eles largam agrotóxico com avião encima das aldeias. O agrotóxico vem pelo ar», lamentou o líder indígena ao lembrar também o projeto de expansão da fronteira agrícola para os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Lideranças de vários povos têm denunciado os graves problemas causados pelo atual modelo de produção agrícola implementado pelo agronegócio. O relatório apresentado traz casos de contaminação das nascentes nos limites das terras indígenas e os aviões fazem as aplicações de agrotóxicos. Só em Tocantins, foram registados pelo CIMI oito casos de invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao património. «A vontade do governo brasileiro é acabar com a vida dos povos indígenas», denunciou Elza Nâmnâdi.
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