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Opinião
O futebol e a emigração portuguesa
Texto Opinião | Daniel Bastos | 05/08/2019 | 10:21
A genuína dimensão cultural do futebol, expressa numa força geradora de laços e vínculos identitários, encontra-se plasmada nas comunidades lusas espalhadas pelos quatro cantos do mundo
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Uma das modalidades, senão a mais importante modalidade desportiva do país, o futebol, ocupa um papel fulcral na sociedade portuguesa que muitas das vezes parece viver ao ritmo do futebol e da sua omnipresença mediática, e não tanto da sua valorização enquanto festa e prática desportiva universal, capaz de aproximar povos e culturas.

A genuína dimensão cultural do futebol, expressa numa força geradora de laços e vínculos identitários, encontra-se plasmada nas comunidades lusas espalhadas pelos quatro cantos do mundo, onde o futebol nacional, os clubes e a seleção, constituem um incontornável elemento de identidade popular portuguesa.

Esta realidade da identificação futebolística como um vínculo capital da diáspora portuguesa ao país foi modelarmente analisada há poucos anos pela investigadora alemã Nina Clara Tiesler, através do projeto de investigação internacional «Diasbola», dedicado ao papel do futebol entre emigrantes portugueses e lusodescendentes na Alemanha, França, Inglaterra, Suíça, Estados Unidos, Canadá, Brasil e Moçambique.

Tendo como principal objetivo caracterizar o futebol em comparação com outros elementos culturais utilizados pelos emigrantes como meios de ligação ao país de origem, a coordenadora, do trabalho «Diasbola: futebol e emigração portuguesa», sustenta que «a identificação futebolística e a gastronomia são os dois elementos da cultura popular mais visíveis na diáspora portuguesa». E com «maior capacidade de reunir pessoas de classes sociais diferentes, de gerações diferentes e de sexo diferente».

A terminante conclusão do meio académico, de que o futebol é o principal elemento de identidade entre gerações de emigrantes, atingiu o seu apogeu quando a seleção portuguesa de futebol ganhou o Campeonato da Europa 2016 em França, onde vive a maior comunidade lusa no estrangeiro. E manifesta-se nos dias de hoje, no empenho que os principais clubes portugueses têm tido na inauguração de casas, ou na assunção de protocolos e parcerias para a abertura de escolas, nas comunidades portuguesas.

Empenho esse que tem levado a estágios e a participações em torneios futebolísticos cada vez mais frequentes em territórios onde a emigração portuguesa está fortemente implantada, e que por força da distância e saudade dilui as diferentes cores dos clubes portugueses no verde-rubro que compõem a bandeira e a seleção nacional.
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