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Myanmar decreta apagão digital em nove municípios
Texto F.P. | Foto Michael Coghlan | 25/06/2019 | 17:33
Governo justifica decisão alegando que os serviços estavam a ser usados para perturbar a paz e promover atividades ilegais. Especialista da ONU teme violações dos direitos humanos
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O governo de Myanmar decretou a suspensão do serviço de dados móveis em nove municípios do país, o que pode ter sérias implicações para os direitos humanos nas áreas de conflito dos estados de Rakhine e Chin, alerta a relatora especial das Nações Unidas, Yanghee Lee.

«Como não há acesso à mídia e existem sérias restrições às organizações humanitárias, toda a região está em apagão», denuncia a especialista, manifestando-se preocupada com «todos os civis que lá estão, isolados e sem os meios necessários para se comunicar com pessoas dentro e fora da área».

De acordo com relatórios recentes sobre a situação em Myanmar, nos últimos seis meses, terão sido cometidas violações de direitos humanos e do direito internacional humanitário contra a população civil por ambas as partes em conflito.

A semana passada, o Ministério dos Transportes e Comunicações emitiu uma ordem dirigida a todos os fornecedores de rede móvel pedindo que interrompessem, de forma temporária, os serviços de internet, alegando que estes serviços estavam a criar distúrbios à paz e a ser usados para coordenar atividades ilegais.

O conflito entre o exército de Arakan e o Tatmadaw decorre desde o final de 2018, com os civis a sofrer o impacto da violência. Mais de 35 mil civis foram deslocados e dezenas de pessoas, incluindo crianças, foram mortas e feridas em ataques.

Yanghee Lee pede ao governo «para reverter a decisão de impor a proibição de internet móvel» e recorda «às duas partes em conflito que devem garantir que civis e objetos civis são protegidos em todos os momentos e o direito internacional humanitário é defendido».
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