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Ébola já matou mais de 1.100 pessoas no Congo
Texto F.P. | Foto Lusa | 21/05/2019 | 07:02
Continuam os ataques contra as equipas médicas e centros de tratamento, o que está a dificultar os esforços para conter a propagação da doença. OMS recomendou o reforço da vacinação
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Apesar da grande mobilização humanitária, o número de novos casos e de mortes com o vírus do ébola continua a aumentar na República Democrática do Congo (RDC). O mais recente relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) identificou mais de 1.600 pessoas infetadas com a doença e pelo menos 1.147 vítimas mortais. As zonas mais afetadas são o Kivu do Norte e Ituri, perto da fronteira com o Uganda e o Ruanda.

Um dos grandes obstáculos que os profissionais de saúde têm encontrado são as crenças da população e os ataques contra as equipas médicas e centros de tratamento. «Trabalhamos dois ou três dias, mas depois de cada novo ataque os funcionários das equipas de resposta ao ébola têm de ficar em casa cinco dias. Enquanto isso perdemos muito tempo na luta contra o vírus», lamentou Aruna Abedi, coordenador para o ébola do Ministério da Saúde da RDC.

Por outro lado, muitas pessoas desconfiam dos médicos, das equipas de apoio e do governo e até da medicação. Informações falsas têm sido deliberadamente espalhadas por charlatões, e há pessoas a crer que os medicamentos que são administrados nos centros de trânsito provocam infertilidade ou mesmo a morte dos pacientes.

As equipas médicas tentam, cada vez mais, envolver os líderes tradicionais das aldeias na luta contra o ébola, mas até estes enfrentam dificuldades. «Queremos convencer as pessoas a tratar-se nos centros de tratamento oficiais. Também lhes dizemos para relatarem todos os casos às autoridades, mas estamos a lutar contra uma grande resistência», admitiu o rei Mfumu Difima, um monarca tradicional líder da RDC.

O atual surto de ébola começou em agosto do ano passado e é o mais grave desde a devastadora epidemia de 2014-15, que fez 11.000 vítimas na África Ocidental. Esta é décima epidemia de ébola registada na RDC. Os surtos anteriores atingiram regiões pacíficas e puderam ser contidos com relativa rapidez.
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