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Moçambique mostrou «fragilidades» na resposta aos ciclones
Texto F.P. | Foto Lusa | 12/05/2019 | 11:25
Coordenador do Relatório Global sobre Deslocados internos assinala a resposta tardia do governo e da comunidade internacional aos ciclones que atingiram o país. E aconselha ao reforço da capacidade de resposta aos desastres naturais em África
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O continente africano deve melhorar a capacidade de resposta aos desastres naturais, segundo o coordenador do Relatório Global sobre Deslocados internos (GRID2019), Vicente Anzellini, apontando, como exemplo, as «fragilidades» demonstradas com a resposta tardia do governo e da comunidade internacional aos ciclones que atingiram Moçambique.

Segundo o responsável, citado pela agência Lusa, embora África não seja a região onde ocorrem mais desastres naturais, o risco de deslocações internas é agravado pela vulnerabilidade e pobreza das populações, bem como pela capacidade de resposta das autoridades, como ficou provado nas mais recentes intempéries em Moçambique.

O ano passado, o GRID 2019 contabilizou um número recorde de 41,3 milhões de pessoas que tiveram de deixar as suas casas devido a conflitos e 17,2 milhões de novos deslocados devido a desastres naturais, associados sobretudo ao clima. Cerca de 55 por cento da população afetada por catástrofes concentrava-se na região do sudeste asiático e Pacífico e 15 por cento na África subsaariana.

Em 2018 não se registaram catástrofes muito relevantes em termos de número de deslocados, mas este ano, Moçambique, que foi atingido por dois ciclones, em março e abril, deverá destacar-se devido à população afetada. «Estamos a acompanhar a situação de perto e os números são muito elevados. É um tipo de ciclones muito diferentes dos que atingem a China, por exemplo, ou as Filipinas, países que têm elevada preparação e sistemas de alerta antecipado e respondem a desastres de forma mais eficiente», sublinhou Anzellini.

Tendo em conta estes últimos acontecimentos e o facto do aumento da urbanização aumentar os riscos, o especialista apela à necessidade de se «melhorar a capacidade de preparação aos desastres e a capacidade de governança e de respostas». «Está a haver uma mudança demográfica considerável, sobretudo urbana, na África subsaariana e isto vai influenciar o risco face aos desastres: tudo depende de como as cidades são construídas, como os governos respondem, como é desenvolvida e comunicada a sensibilização para os riscos», explicou, sublinhando que se os problemas de pobreza e desigualdade não forem resolvidos haverá um aumento do número de deslocados.
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