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Portugal
Bispos querem comunidades envolvidas na preparação do matrimónio
Texto F.P. | 08/05/2019 | 11:06
Carta Pastoral aprovada na última Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa insiste na «beleza do casamento» e na necessidade de uma preparação séria e profunda por parte dos noivos
Os bispos portugueses pedem às comunidades cristãs em Portugal que se envolvam de forma mais ampla e profunda na preparação dos noivos para o matrimónio, investindo, por exemplo, numa pastoral de namoro «em que todos, catequistas, líderes de grupos de jovens, promotores vocacionais e demais agentes pastorais unam esforços e trabalhem juntos de forma a, com tempo, começar a preparação e o discernimento para o namoro, noivado e matrimónio».

«É urgente um novo dinamismo nas paróquias, nos movimentos e na vida da Igreja em geral, em que se promovam grupos de namorados, atividades e encontros que possam ajudar a refletir e a viver uma verdadeira preparação, para a vida matrimonial. É que “o matrimónio é uma vocação, sendo uma resposta ao chamamento específico para viver o amor conjugal como sinal imperfeito do amor entre Cristo e a Igreja. Por isso, a decisão de se casar e formar uma família deve ser fruto dum discernimento vocacional», sublinham os bispos na Carta Pastoral sobre o Matrimónio, aprovada na última Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

No documento, divulgado esta quarta-feira, 8 de maio, é feito um retrato da sociedade e da forma como encara o casamento e a vida em família à luz dos tempos atuais e deixado o compromisso que de a Igreja Católica se guiará pelo princípio da misericórdia e do acolhimento, mesmo nos casos das pessoas cujo casamento entrou em falência.

«Não podemos ignorar o crescente número de famílias que experimentam a rotura, a separação ou o divórcio. O fracasso de um sonho de vida provoca inevitavelmente frustração e sofrimento, que atingem sobretudo os filhos, especialmente se são menores de idade. Inúmeros fatores concorrem para o fracasso de tantas famílias, como o desemprego, a emigração, os horários desencontrados de trabalho, a violência doméstica, a dependência viciante de um ou mais elementos do seio familiar ou, simplesmente, a desilusão, a desistência e o abandono de um dos cônjuges», pode ler-se na Carta Pastoral.

Neste caso, e se, porventura, «apesar do sofrimento e dos esforços feitos para a reconciliação, a complexidade da situação tornar inevitável o fracasso do matrimónio, é importante saber que o caminho da Igreja continua a ser o caminho de Jesus, o caminho do acolhimento, da misericórdia e da integração», escrevem os bispos, sublinhando que, enquanto batizados e membros da Igreja, «não devem considerar-se condenados ou separados da mesma Igreja».

Partindo das conclusões de vários estudos, que referem que os casais felizes se distinguem dos infelizes pelo modo como vivem a sua relação em áreas cruciais, como o relacionamento ao nível sexual, atividades de lazer, relação com a família e amigos, situação financeira e gestão das economias, modos de viver a fé, os bispos alertam, no entanto, para «um fator base que pode tornar uma relação feliz ou infeliz: a comunicação ou a falta dela».

Por isso, defendem que a preparação dos noivos «deve primeiramente sublinhar a beleza do matrimónio como autêntica vocação que conduz à felicidade mútua». «Mas deve também alertar para a possibilidade de o deslumbramento ou a paixão inicial tenderem a relativizar dificuldades ou divergências que, nalguns casos, podem revelar autênticas incompatibilidades».
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