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Cursos de bordados e costura ajudam a integrar mães solteiras
Texto Francisco Pedro | Foto DR | 28/04/2019 | 07:11
As mães adolescentes, menores vítimas de violência ou com antecedentes de consumo de drogas ou álcool, têm agora a oportunidade de aprender uma profissão e iniciar o seu próprio caminho para a sustentabilidade
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Como na generalidade dos países africanos, a Tanzânia não foge à regra no que respeita à discriminação no acesso à educação em relação às meninas. Este fenómeno tem mais expressão nas regiões rurais ou do interior e é uma das principais preocupações na paróquia de Makambako, que fica a 700 quilómetros de Dar es Salaam, a maior e mais populosa cidade do país.

Com uma economia assente na agricultura de subsistência, e com falta de água frequente devido à sua localização geográfica, a comunidade vive mergulhada na pobreza extrema, com elevadas taxas de desemprego e um alto índice de analfabetismo, sobretudo entre as mulheres e meninas, pois as famílias não têm capacidade económica para suportar as despesas com a educação. Sem rendimentos e com poucas perspetivas de futuro, muitos adolescentes deixam-se cair na tentação da criminalidade ou na dependência das drogas e do álcool.

Para combater este flagelo, a paróquia, em cooperação com os Missionários da Consolata, criou uma escola de costura e desenvolveu um projeto para proporcionar formação a pelo menos 50 mães solteiras, meninas vítimas de violência ou com antecedentes de toxicodependência e alcoolismo.

Com cerca de seis mil euros, metade doados por benfeitores italianos, foram compradas máquinas de costura e de bordar, agulhas, linhas e tecidos, e contratadas professoras e monitoras para iniciarem a preparação das primeiras 10 formandas.

Os coordenadores do projeto apontam três objetivos como metas essenciais destes cursos: garantir que as alunas «se tornem financeiramente autossuficientes»; reduzir o nível de desemprego e, consequentemente, diminuir «a prostituição juvenil, a gravidez indesejada e a indigência»; combater o analfabetismo e fornecer ferramentas que ajudem à integração no mercado de trabalho e na sociedade.

Em Makambako as famílias têm em média mais de cinco filhos e a responsabilidade do cultivo da terra é quase sempre entregue à mulher. Para assegurar o sustento do agregado familiar, muitas mulheres tentam melhorar os rendimentos com a venda dos seus produtos nas ruas ou em pequenos mercados.
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