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«Dormem em abrigos de palha sem água potável e saneamento»
Texto J.B. | Foto MSF | 13/03/2019 | 08:44
Médicos Sem Fronteiras estão no terreno a apoiar a população do Níger e do Mali, mas referem que são precisos mais intervenientes neste cenário para dar resposta às necessidades dos deslocados
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Um «aumento nas ameaças de grupos armados» que atuam entre as fronteiras do Mali e do Níger causou recentemente uma «nova onda» de deslocados, indicam os serviços de comunicação dos Médicos Sem Fronteiras. Segundo a organização, «mais de oito mil pessoas foram forçadas a estabelecerem-se em acampamentos improvisados nas imediações da aldeia de Kongokiré, na região de Tillabéry, onde vivem em condições terríveis, numa zona também considerada insegura».

 

Numa tentativa de atenuar os sofrimentos desta população, elementos dos MSF estão no terreno a «distribuir artigos de primeira necessidade», a prestar assistência médica e de saúde mental e a assegurar o saneamento no local. Os dois acampamentos informais atualmente existentes dão abrigo a «cerca de dez mil pessoas: refugiados naturais do Mali que fugiram devido à crescente insegurança, e deslocados internos da Nigéria, a maioria deles já deslocados pelo menos duas vezes devido a ameaças persistentes de grupos armados e a condições de vida difíceis».

 

No mesmo documento, os Médicos Sem Fronteiras dão conta do facto dos deslocados chegados a Kongokiré terem poucos ou nenhuns pertences. «Ficam e dormem em abrigos improvisados feitos de gravetos, palha, sacos plásticos e tecido, e não têm acesso a água potável e saneamento», apontam os membros da organização humanitária.

 

Para dar resposta a este cenário, os MSF «distribuíram 1.173 kits de bens não-alimentares» por «8.211 deslocados internos e refugiados». «As nossas equipas também estão a construir latrinas para melhorar as condições de saneamento na zona. Temos clínicas móveis nos campos [de deslocados] para fornecer às pessoas vulneráveis – que tiveram dificuldades de acesso a cuidados de saúde preventiva durante anos – ajuda médica básica», descrevem os elementos da organização, adiantando que estão também a apoiar «um posto de saúde próximo para facilitar o acesso a cuidados para a população deslocada e locais», uma assistência que é «acompanhada por consultas de saúde mental».

 

Innocent Kunywana, coordenador da equipa de resposta rápida a emergências dos MSF que trabalha nos acampamentos, indica que «um dos principais riscos atualmente enfrentados nos acampamentos é a falta de comida». «Se o deslocamento continuar por um certo tempo – que é o que prevemos que irá acontecer – isso pode gerar tensões entre as populações locais e os deslocados, e até provocar conflitos dentro dos campos», alertou o responsável.

 

Os Médicos Sem Fronteiras afirmam que «é fundamental a mobilização de outros atores» para dar resposta às necessidades de alimentos e de proteção. Segundo a organização, até ao momento, a presença humanitária em Tillabéry, e particularmente nas zonas onde a insegurança é «muito grande», tem sido «insuficiente». Os responsáveis pelo organismo humanitário afirmam estar «preocupados» com a possibilidade da «situação na região poder piorar, já que Tillabéry é afetada tanto pelo conflito no Mali quanto pelo aumento de grupos armados em Burkina Faso, e essas causas profundas de insegurança e deslocamento provavelmente persistirão».

 

Em colaboração com o Ministério da Saúde, as equipas dos MSF «facilitam o acesso a cuidados de saúde para populações locais e deslocadas». No primeiro mês deste ano, os profissionais da saúde da organização humanitária trataram «4.789 pacientes, realizaram 427 consultas pré-natais e vacinaram 687 crianças com menos de dois anos de idade».

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