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Opinião
Povos em Movimento: migração, exílio e diáspora
Texto Opinião | Daniel Bastos | 05/03/2019 | 11:36
Enquanto experiência original de visionamento e reflexão, o ciclo agora estreado pela Cinemateca Portuguesa dedicado à migração, exílio e diáspora, constitui um relevante contributo para o robustecimento da cidadania democrática
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No início do presente mês de março, a Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, um organismo nacional tutelado pelo Ministério da Cultura, e que tem por missão a salvaguarda e a divulgação do património cinematográfico, principiou um ciclo dedicado ao fenómeno migratório. Com o título «Povos em Movimento - Migração, Exílio e Diáspora», o ciclo que decorrerá até ao mês de maio, assenta na projeção de filmes que abarcam 100 anos de cinema e de História, com ficções, documentários, ensaios e raridades.

Segundo a instituição fundada nos anos 50 por um dos pioneiros das cinematecas europeias, Manuel Félix Ribeiro, e que desde essa década é membro da Federação Internacional dos Arquivos de Filmes (FIAF), o princípio geral da programação «foi o de olhar a forma como o cinema representou os principais movimentos gerados por causas económicas e políticas que marcaram o século XX e que estão a marcar este início de século, com alguns antecedentes no período imediatamente anterior».

Iniciado com a curta-metragem centenária «O emigrante» (1917), de Charles Chaplin, pela Cinemateca irão passar ainda «Emigrantes» (1948), de Aldo Fabrizi, «As Vinhas da Ira» (1940), de John Ford, «Rocco e os Seus Irmãos» (1960), de Luchino Visconti, «A Promessa» (1996), dos irmãos Dardenne, «Reminiscences of a journey to Lithuania» (1972), de Jonas Mekas, recentemente falecido, «A Grande Cidade» (1966), do brasileiro Cacá Diegues, e «América, América» (1963), de Elia Kazan.

O ciclo não esquecerá países «que durante séculos foram terras de emigração”, como Portugal, tendo sido incluídos alguns filmes, entre os quais «Lisboetas» (2004), de Sérgio Tréfaut, e «Fantasia Lusitana» (2010), de João Canijo. Sendo que em maio o ciclo centrar-se-á essencialmente na emigração e na diáspora portuguesa em França, com uma programação específica a anunciar e que incluirá um debate.

Enquanto experiência original de visionamento e reflexão, o ciclo agora estreado pela Cinemateca Portuguesa dedicado à migração, exílio e diáspora, constitui um relevante contributo para o robustecimento da cidadania democrática, particularmente num país fortemente marcado pela emigração, e numa época em que as migrações são um dos principais desafios das sociedades e das relações entre os povos.
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