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Opinião
Memórias e recordações da emigração portuguesa na Alemanha
Texto Opinião | Daniel Bastos | 26/01/2019 | 13:08
A emigração portuguesa para a Alemanha remonta à década de 1960, durante o período dos acordos de recrutamento de trabalhadores do governo alemão, que visavam suprir o défice de trabalhadores
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Ao longo dos últimos anos a Alemanha tem-se tornado um dos principais destinos da emigração portuguesa, contexto para que muito concorre o facto de ser um dos principais motores da economia europeia, e um dos países mais desenvolvidos do mundo.

Em 2015, segundo dados do Observatório da Emigração, residiam no território alemão mais de 130 mil cidadãos portugueses, maioritariamente em idade ativa, com uma proporção de homens ligeiramente superior à de mulheres, sobretudo concentrados no estado da Renânia do Norte-Vestefália e em Bade-Vurtemberga.

A emigração portuguesa para a Alemanha remonta à década de 1960, durante o período dos acordos de recrutamento de trabalhadores do governo alemão, que visavam suprir o défice de trabalhadores de que a República Federal Alemã não dispunha para a sua reconstrução. É nesta época, que se enquadra a conhecida história do português Armando Rodrigues de Sá, natural de Vale de Madeiros, distrito de Viseu, que a 10 de setembro de 1964, ao desembarcar na estação de Colónia-Deutz recebeu o título de milionésimo imigrante na Alemanha, numa receção que incluiu banda de música e até a oferta de uma motorizada que hoje se encontra na Casa da História de Bona.

A génese da emigração portuguesa para a Alemanha encontra-se vertida no livro «A Vida Numa Mala - Armando Rodrigues de Sá e Outras Histórias» da jornalista portuguesa Cristina Dangerfield-Vogt e da historiadora alemã Svenja Länder, que abordam as histórias dos emigrantes lusos nos anos 60 em território alemão, e em particular do português que ainda figura nos manuais escolares alemães como o milionésimo imigrante a entrar na Alemanha.

No ocaso do ano passado, as memórias e recordações da primeira vaga da emigração portuguesa para a Alemanha foram revisitadas na exposição «Heimat|Fremde», do Museu Humpis-Quartier, na cidade de Ravensburg. Através de fotografias antigas e testemunhos gravados em vídeos das primeiras gerações lusas que se deslocaram para esta região no sul da Alemanha, próxima da Suíça, Áustria e França, revalorizou-se o contributo relevante que os emigrantes portugueses ao longo de mais de meio século têm dado para o progresso da sociedade alemã.
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