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Portugal
Faltam mais de 7.000 camas na rede de cuidados continuados
Texto F.P. | Foto DR | 07/11/2018 | 12:08
Estudo encomendado pelo Estado apontava para a necessidade de 15 mil camas em 2016. Neste momento, há apenas 8.000 e muitas estão ocupadas com pessoas com demência, alerta o presidente da União das Misericórdias
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O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Manuel de Lemos, alertou esta quarta-feira, 7 de novembro, em Fátima, para a falta de mais de 7.000 camas na rede de cuidados continuados em Portugal. Existem neste momento cerca de 8.000 camas, o que fica muito áquem das necessidades, tendo em conta o aumento das taxas de envelhecimento e o facto de quase metade das camas existentes estarem ocupadas por pessoas com demência.

«Neste momento há um problema efetivo para as famílias e para os portugueses de estarem na rede de cuidados continuados. O Estado encomendou um estudo sobre o número de camas para os continuados sem demência, que apontava para a necessidade de termos 15 mil camas em 2016. Já estamos quase a chegar a 2019 e temos cerca de 8.000 camas, e o mais grave é que 30 a 40 por cento delas estão com pessoas com demência, o que quer dizer que a falta é muito maior», afirmou o presidente da UMP à margem das Jornadas de Cuidados Continuados Integrados, que decorrem até amanhã, no Centro João Paulo II.

As misericórdias gerem atualmente 117 unidades de cuidados continuados em todo o país, o que representa 51 por cento de toda a rede nacional, e já manifestaram a disponibilidade ao Estado para continuarem a prestar este serviço e até ampliá-lo, mas para isso, exige o aumento das compartipações sobretudo nos internamentos de longa duração e a garantia de apoio estatal nos casos em que seja necessário fazer novos investimentos para criação de mais camas.

«Nós não queremos ganhar dinheiro com isto, nem queremos ser um armazém de pessoas. O que queremos é assegurar a sustentabilidade, para cuidarmos dos que cá estão, dos que veem a seguir e pagar convenientemente aos trabalhadores que fazem um trabalho magnífico», adiantou Manuel de Lemos, sublinhando que as misericórdias «estão muito marcadas pela sustentabilidade financeira», pelo que só com garantias do Estado será possível convencer os provedores a arriscarem em ampliações dos edifícios já existentes ou na construção de novas unidades.

Para o presidente da UMP, investir em unidades de cuidados continuados pode ser também uma forma de levar melhor qualidade de vida e fixar pessoas no interior do país. «Colocar unidades deste tipo em territórios de baixa densidade, primeiro faz cuidar das pessoas que precisam de ser cuidadas, mas também atrai pessoas por causa do emprego e faz fixar gente. E o problema destes territórios é que nos últimos 30 anos tem-se feito pouco para fixar as pessoas».

As Jornadas de Cuidados Continuados Integrados, promovidas pela União das Misericórdias, contam com a participação de 300 técnicos oriundos de vários pontos do país e visam proporcionar a troca de conhecimentos e o desenvolvimento de competências específicas para dar melhor respostas às necessidades do setor.
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