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Ondas de violência sexual alastram no Congo
Texto F.P. | 06/11/2018 | 10:14
Equipas dos Médicos sem Fronteiras denunciam que oito em cada 10 pessoas que recorreram aos seus serviços declararam ter sido violadas por homens armados
São relatos de horror e de uma violência atroz os que têm sido recolhidos pelos elementos da organização Médicos sem Fronteiras (MSF) que trabalham na cidade de Kananga, na República Democrática do Congo (RDC). Das 2.600 pessoas assistidas entre maio de 2017 e setembro deste ano, oito em cada 10 disseram ter sido violadas por homens armados.

Segundo Karel Janssens, coordenador-geral da organização na RDC, estes dados «são o reflexo do alto índice de violência que tem persistido na região de Kasai, desde o ano passado» e podem ser apenas uma parte de um problema maior, resultado da instabilidade que se vive naquela zona do país desde 2016.

Pitshou, uma das vítimas, contou que depois de ter sido tratado como escravo, foi obrigado a fazer coisas «horríveis» a mando dos homens armados que atacaram a sua aldeia. «Obrigaram-nos a violar várias mulheres. Todos os jovens da aldeia fomos obrigados. Se algum não o fazia, era assassinado».

Mamie, outra das muitas vítimas, disse ter sido violada junto ao corpo decapitado do marido, na presença dos seus cinco filhos. Depois da violação, os agressores mataram dois dos filhos, roubaram-lhe todos os pertences e obrigaram-na a fugir. Quando decidiu regressar a Kananga, junto com outras mulheres, sofreu novo episódio de abuso: «Enquanto estávamos a caminho, encontrámos três homens armados. Mais uma vez, violaram-nos».

As equipas dos Médicos sem Fronteiras disponibilizam assistência psicológica aos pacientes mais traumatizados, em muitos casos porque à violência sexual se somam outro tipo de abusos. Mais de metade dos pacientes que recorreram às consultas individuais afirmaram que pelo menos um membro da sua família tinha sido assassinado ou que as suas casas tinham sido saqueadas ou destruídas.
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