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ONU quer criminalizar responsáveis pela fome
Texto F.P. | Foto Lusa | 30/10/2018 | 07:02
Os bloqueios no acesso à água e à alimentação em contexto de guerra devem ser considerados crimes contra a humanidade, segundo a relatora especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação
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A relatora especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, Hilal Elver, defendeu esta semana que a fome em países em guerra provocada intencionalmente pelos atores do conflito seja considerada como um «crime contra a humanidade», devendo os responsáveis ser levados a responder perante a justiça.

«O mundo tem que tomar consciência da situação da fome e da desnutrição a nível global», afirmou a responsável durante a Cimeira Parlamentar sobre a Fome, em Madrid, Espanha, recordando que as áreas mais afetadas pela fome e pela má nutrição são as dos países em situação de conflito, onde mais de 125 milhões de pessoas vivem uma situação de insegurança alimentar.

Um destes países é o Iémen, que enfrenta a «pior crise humanitária do mundo» e está à beira de entrar numa situação de fome generalizada. Há ainda os casos preocupantes como os da Nigéria, Sudão do Sul, República Democrática do Congo e da comunidade rohingya, que vive refugiada no Bangladesh.

Neste contexto, Elver considera que o uso da fome «como ferramenta de guerra», baseada no bloqueio do acesso da população civil à água e aos alimentos, deve ser classificado como «um crime contra a humanidade» que não deve ficar impune. «Há que fazer com que a fome seja um crime contra a humanidade para poder julgar os responsáveis contra essa forma de castigar a população», sublinhou.
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