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Consolata alarga missão a Madagáscar
Texto Diamantino Antunes | Foto Diamantino Antunes | 20/09/2018 | 17:32
Trabalho de preparação da nova abertura continental foi um dos temas do Conselho Continental da África (CCA), que esteve reunido em Adis Abeba, na Etiópia, para analisar as linhas estratégicas para o continente, nos próximos seis anos
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O Conselho Continental da África (CCA), um órgão de comunhão e partilha dos Missionários da Consolata em África formado pelos Superiores de cada país, esteve reunido na Etiópia, entre 10 e 18 de setembro, para promover um caminho comum de reflexão, pesquisa e discernimento. Os primeiros dias foram dedicados à visita à missão e ao Hospital dos Missionários da Consolata, em Gambo, e os restantes a encontros de avaliação e programação, na capital Adis Abeba.

Um país à procura de equilíbrio

A Etiópia é a mais antiga nação africana com mais de 2000 anos de história. Com uma superfície de 1.104.300 quilómetros quadrados e uma população de 105 milhões de habitantes, a Etiópia é por tudo isto uma das principais nações africanas. Na capital, Adis Abeba, tem sede também a União Africana, organismo pan-africano, que tem a sua origem em 1963, e que conta atualmente com 55 Estados-membros.

Depois de séculos de monarquia, hoje a Etiópia é uma República Federal Democrática onde as províncias foram desenhadas sobre base étnica, reforçando a identidade local em vez da nacional. Por isso, a Etiópia é um país que procura o equilíbrio entre o fortalecimento do estado unitário e a satisfação das exigências regionalistas dos seus povos.

O país viveu no início deste ano a maior crise política desde o derrube do regime comunista de Menghistu, em 1991. No dia 15 de fevereiro, o primeiro-ministro Hailemarian Desalegn demitiu-se devido às constantes manifestações anti-governamentais, reprimidas de modo violento e que provocaram a morte de centenas de pessoas e a detenção de milhares de opositores políticos.

Os protestos da maioria étnica Oromo (35 por cento da população, residentes na parte sul do país, e descriminados durante séculos), que exige direitos e autonomia política, fizeram emergir líderes locais que recusam o predomínio da componente Trigina (apenas seis por cento da população) na coligação da maioria que governa o país em detrimento do Oromo.

A recente eleição do novo primeiro ministro, Abiy Ahmed, de etnia Oromo, que está a procurar aplicar medidas sócio-económicas que respondam às exigências da maioria Oromo estão a dar aparentes resultados.

Os primórdios da Consolata

A Etiópia é também o território africano no qual o fundador dos Missionários da Consolata, o beato José Allamano, queria iniciar a obra missionária do Instituto que fundou. Os condicionalismos históricos obrigaram a mudar o destino de seus missionários para o Quénia, em 1902. Mas Allamano nunca desistiu da Etiópia. Em 1913, a Santa Sé confiou o Vicariato de Galla, no sul do país, aos Missionários da Consolata. Em 1916, chegou o primeiro missionário a Adis Abeba. Até 1941, ano da expulsão da Etiópia, a Consolata fundou diversas missões no sudoeste do país e realizou uma admirável obra de educação e promoção humana. Em 1970, os missionários voltaram humildemente, na pessoa do padre João De Marchi, fundador da Consolata em Portugal, assumindo a orientação espiritual de algumas missões no Vicariato de Meki, entre estas a missão e hospital de Gambo.
Uma missão onde o bem existe

A missão de Gambo, antes de ser o que é hoje, era um leprosário. Nesta estrutura, milhares de leprosos da região sul da Etiópia eram curados e viviam numa aldeia, num completo isolamento. Em 1987, o Centro de Saúde para o tratamento da lepra foi ampliado e começou a funcionar o Hospital Distrital de Gambo, que atualmente tem capacidade para 140 camas, sendo uma estrutura sanitária de referência na Província do Western Arsi, na Região da Oromia. Nesta unidade funcionam os departamentos de maternidade, pediatria, cirurgia, ortopedia, laboratório, farmácia e o internamento para doentes de lepra, tuberculose e HIV/Sida. O hospital serve uma população de 435 mil pessoas e atende anualmente, com muito profissionalismo e humanidade, uma média de 25 mil doentes. Trata-se de um dos centros selecionados pelo Ministério da Saúde etíope que participa em todos os programas de saúde, entre eles o controle da tuberculose e da lepra, a prevenção e diagnóstico da Sida, tratamento para a desnutrição, vacinas infantis e gravidez. Foi em Gambo que, em 2016, faleceu e foi sepultado o missionário da Consolata português, padre Carlos Domingos.

Programação pastoral conjunta

Regressados a Adis Abeba, os Superiores da Consolata dos diferentes países de África – Quénia, Tanzânia, Moçambique, África do Sul, Congo, Costa do Marfim e Etiópia - partilharam as principais iniciativas e atividades programadas para o sexénio 2018-2013. Em seguida, trabalharam na programação continental ao nível das cinco comissões continentais existentes: Formação de base (seminários), Formação Permanente (missionários), Missão Ad Gentes (evangelização), Animação Missionária e Promoção Vocacional e Economia.

Falaram também do trabalho de preparação da nova abertura continental no Madagáscar, na diocese de Ambanja, situada no norte da ilha. Com uma superfície de 34.083 quilómetros quadrados, a diocese é povoada por uma população de 1,4 milhões de habitantes, dos quais 142 mil são católicos (10 por cento da população). O primeiro grupo de missionários da Consolata chegará a Madagáscar em janeiro de 2019.
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