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Moçambique
Primeira peregrinação ao santuário dos mártires
Texto Diamantino Antunes | Foto DR | 19/03/2018 | 10:26
Houve um tempo de silêncio e oração e também de recordação dos Servos de Deus, exemplos de coragem por terem abraçado um caminho de paz em tempo de guerra. Rezou-se o terço e recordou-se a paixão e morte de Jesus com a via-sacra
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No dia 17 e 18 de março realizou-se a quinta peregrinação anual ao Santuário Diocesano de Guiúa-Inhambane, dedicado a Maria, Rainha dos Mártires. O templo foi erigido em 5 de agosto de 2012, em plena celebração do Jubileu Diocesano, por decreto do bispo de Inhambane, Adriano Langa. Em memória dos catequistas mártires, assassinados em 1992 no Centro Catequético do Guiúa, o dia 22 de março foi instituído como dia de peregrinação anual da diocese. A primeira peregrinação decorreu no dia 22 de março de 2014.

Os peregrinos começaram a chegar no sábado, dia 17, ao Centro do Guiúa, onde foram acolhidos e acomodados. Vieram em grande número, de longe e de perto. Dezenas de carros e meios públicos afluíram ao Guiúa pela estreita picada, trazendo fiéis de todas as paróquias da diocese, de Zandamela até ao Save, do interior e do litoral. Alguns, vieram a pé em peregrinação, rezando e cantando durante a marcha. Movidos pela fé, pela devoção à Virgem Maria e pelo respeito ao testemunho de fé dos Servos de Deus catequistas do Guiúa. Após o almoço, os peregrinos dirigiram-se para o lugar, onde há 26 anos foram assassinados os catequistas e suas famílias.

Uma verdadeira multidão percorreu a pé, juntamente com o seu bispo, os cerca de três quilómetros, que distam do Guiúa até ao local do massacre. Aí chegados, todos se reuniram em torno das cruzes onde se registam os nomes dos mártires e que, no meio do nada, assinalam um campo de morte para sempre tingido com o sangue do martírio.

Houve um tempo de silêncio e oração e também de recordação dos Servos de Deus, exemplos de coragem por terem abraçado um caminho de paz em tempo de guerra. Rezou-se o terço e recordou-se a paixão e morte de Jesus com a via-sacra. Durante toda a celebração choveu intensamente. Ninguém arredou pé, firmes na devoção, e cientes de que aquela chuva era uma bênção mais do que uma arrelia. Depois do regresso ao Guiúa, todos convergiram no Cemitério dos Mártires para mais um momento de oração. Recitou-se o terço e depois houve procissão com a imagem de Nossa Senhora, Rainha dos Mártires, até à igreja paroquial para uma oração conclusiva. Depois do jantar, já noite, houve adoração eucarística, a turnos, por paróquias. A novidade deste ano foi o facto de que os jovens se deslocaram à noite no lugar do martírio onde realizaram uma vigília de oração dinamizada pela comissão diocesana da juventude.

No domingo, mais peregrinos acorreram ao Guiúa. Cerca de três mil na celebração eucarística, presidida pelo bispo de Inhambane e concelebrada por mais de três dezenas de padres da diocese. Antes da Santa Missa, muitos peregrinos tiveram oportunidade de se confessarem e fazerem romagem à campa dos Servos de Deus, no cemitério do Guiúa. Na homília, Adriano Langa, partindo da liturgia da Palavra do Quinto Domingo da Quaresma, falou da Nova Aliança gravada dentro do coração de cada homem, uma força que leva a fazer o bem. Neste contexto, destacou o testemunho cristão dos Servos de Deus catequistas de Guiúa, enquanto modelos de vida cristã, evangelizadores em vida e depois da morte: «Quando davam catequese, quando presidiam às celebrações e devoções, eles estavam a `gravar´ a lei de Deus nos corações dos homens. Eles vieram aqui para melhorar a maneira de semear e gravar a lei de Deus. Apesar da morte violenta que eles sofreram, não ficaram apagados nem foram silenciados, mas, pelo contrário, ganharam ainda mais força e continuam e continuarão a `gravar´a lei e difundir o amor de Deus no mundo, ainda melhor do que quando estavam vivos», disse o bispo.

A Eucaristia conclusiva da peregrinação foi animada pelo coro diocesano e ativa e conscientemente participada. Assim se cumpriu a primeira peregrinação diocesana ao santuário da diocese, dedicado a Maria Rainha dos Mártires. Com os olhos postos no testemunho dos catequistas assassinados em 1992, hoje, 26 anos volvidos, o Centro Catequético do Guiúa prossegue a formação anual de famílias. A dor e a morte de então é hoje semente de paz.
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