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Direitos humanos
Migrantes vivem «inferno» na Líbia
Texto F.P. | Foto Lusa | 10/08/2017 | 07:02
Organizações não governamentais denunciam condições degradantes em que se encontram os migrantes retidos em território líbio, na esperança de alcançarem território europeu
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A tortura, as violações e o trabalho escravo converteram-se no dia a dia de grande parte dos migrantes que se encontram retidos na Líbia depois de fugirem da guerra, da perseguição e da pobreza, ao ponto de 80 por cento reconhecerem ter sofrido maus tratos em algum momento, segundo um relatório conjunto de várias organizações não governamentais (ONG).

O documento, elaborado pela Oxfam e pelas suas parceiras italianas, baseia-se em testemunhos de homens e mulheres que chegaram à ilha italiana de Sicília, depois de cruzarem o Mediterrâneo a partir da Líbia. Os relatos esboçaram uma «imagem terrível» da situação em território líbio.

«Tenho cicatrizes na cabeça e no braço direito. Perdi o filho que tinha no meu ventre devido às agressões que sofri e a minha irmã morreu com os golpes e abusos que sofreu», contou Esther, uma nigeriana de 28 anos, que viveu cinco meses numa prisão em Zawia.

Além de Esther, 74 por cento das pessoas entrevistadas foram testemunhas do assassinato ou tortura de algum dos seus companheiros de viagem, enquanto que 84 por cento sofreu na pele um tratamento desumano, que em certas ocasiões terá alcançado o nível de tortura.

As conclusões do inquérito estimam também que 84 por cento dos migrantes viram negado o acesso a alimentos ou água durante a sua permanência na Líbia, e que 70 por cento admitiram ter sido amarrados. E seis em cada 10 não tiveram acesso a assistência médica que necessitavam.

Perante este cenário degradante, os responsáveis das ONG pedem aos países da União Europeia que apliquem políticas migratórias que permitam aos migrantes retidos na Líbia abandonar «o inferno» em que vivem.
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