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União Europeia treme perante o discurso da velha Europa
A ameaça do populismo
Texto Carlos Camponez | 18/06/2017 | 13:24
Os populismos deram origem a regimes fascistas e autoritários em todo o mundo, de direita e de esquerda. Hoje, como no passado, alimentam-se de um vasto poder de comunicação
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Depois do referendo na Grã-Bretanha, a Áustria, a Holanda e a França deixaram a União Europeia em suspenso, com o receio da vitória dos partidos de extrema-direita, todos eles preconizando o regresso à velha Europa: a Europa das fronteiras, das moedas nacionais, dos nacionalismos. O país que se segue é a Alemanha... O que vivemos na Europa são apenas exemplos do ressurgir de um discurso político, com novos partidos, novas lideranças, novas denominações, novas palavras, mas é sobretudo o regresso aos populismos do passado.

Se é certo que as últimas eleições não correram de feição para estes partidos, o facto é que eles assumiram dimensões eleitorais que há muito não eram esperadas. Salvámos o presente, mas não afastámos a incerteza do futuro que se avizinha, nas próximas eleições.

Fora da União Europeia, mas ainda dentro da Europa, o Presidente Recep Erdogan, da Turquia, conseguiu referendar uma nova Constituição, que lhe reforça o poder e durante mais tempo. Já nos Estados Unidos  da América (EUA), Donald Trump tem transformado a vida da maior potência mundial numa sucessão de tragicomédias, deixando o país e o mundo na dúvida sobre até onde nos levará a sua visão superficial do mundo e o seu caráter intempestivo.

De uma maneira geral, vimos o populismo a ressurgir na América Latina, em resultado da má governação; na Rússia, em resposta à perda da antiga supremacia soviética; na Europa e nos EUA, devido aos efeitos nefastos da globalização, às promessas por cumprir, ao falhanço da integração dos imigrantes, ao desemprego, à falta de repartição da riqueza, ao terrorismo.
 
O populismo serve-se do povo
Estes posicionamentos políticos pouco ou nada têm de inovador. Alimentam-se da ausência de projeto político dos partidos tradicionais, elegem o povo como única entidade soberana, assumem um discurso contra as elites e contra tudo que não seja os pretensos interesses imediatos da comunidade que se dizem servir.  Em nome dessa legitimidade, criam-se novas lideranças em torno de projetos, facilmente manipulados e desvirtuados para outros fins que não aqueles a que inicialmente se propuseram servir.

Os populismos deram origem a regimes fascistas e autoritários em todo o mundo, de direita e de esquerda. Hoje, como no passado, alimentam-se de um vasto poder de comunicação, destinado a manipular os factos virtuais ou a criar factos alternativos, como se diz atualmente.

O populismo é fruto de maus políticos que se desligaram do povo. Mas é também resultado dos povos que se desligaram da política e querem deixar as suas responsabilidades nas mãos de quem pense por eles e os apazigue dos receios do futuro. Mas a breve trecho, como nos diz a História, o populismo não serve o povo, apenas se serve dele.
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