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A sociedade em que vivemos
Os católicos e a política
Texto Eduardo Santos | Opinião | 19/02/2017 | 17:52
«Os católicos e a democracia: um testemunho». Foi este o tema da conferência do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no ciclo de conferências «Nova Ágora» promovido pela Arquidiocese de Braga

Marcelo Rebelo de Sousa fez uma apresentação sobre a participação dos católicos na construção do regime democrático, lembrando que, antes da democracia, o Estado e Igreja Católica aprenderam com «duas lições»: por um lado o confronto que marcou a Primeira República e, por outro, a dependência «excessiva» que se seguiu ao regime concordatário de 1940.

A conferência do Presidente da República teve lugar s4exta feira passada na abertura da 3ª edição do ciclo de conferências «Nova Ágora», ocorrida no Auditório Vita, em Braga. O presidente abordou o papel dos católicos ao longo das últimas décadas, mas também da Igreja Católica.

 

Ficou-nos na retina as palavras do professor quando salientou que «o núcleo duro da democracia portuguesa, que ainda hoje corresponde a um sistema partidário dos mais estáveis da Europa, tinha como uma das componentes, não a única, o pensamento católico social, repartido por vários partidos». Referia-se, como é óbvio, à democracia instituída após o 25 de Abril de 1974.

Recordando esses tempos disse: «Nos debates intensos na revolução e, no meio da revolução, na Constituinte, estávamos lá muitos que tínhamos essa inspiração católica, repartidos por várias bancadas, e que, de alguma maneira, testemunhámos num debate muito intenso e muito radicalizado alguns traços da inspiração cristã».

 

Marcelo Rebelo de Sousa referiu ainda que a Igreja Católica «constitui hoje um factor de integração e de inclusão social, nas suas posições em relação aos migrantes, aos refugiados, e é um factor de contenção do que se tem chamado movimentos populistas, existentes noutras sociedades».

O PR citou ainda como exemplo, a «ideia do personalismo cristão», da «dignidade da pessoa», a «listagem de direitos fundamentais», o «civilismo», a defesa da liberdade de ensino, da descentralização, do europeísmo e a «capacidade ampla para a inclusão social, para a democracia social. Tudo isto não é monopólio do pensamento católico, mas tem forte influência do pensamento católico», disse.

 

Um dos momentos mais importantes da sessão deu-se durante as respostas de MRS às perguntas dos presentes, espaço em que demonstrou mais à vontade, mas menos segurança perante as questões levantadas.

Algumas perguntas, roçando a perspectiva pessoal do presidente sobre casos mediáticos, tiveram respostas mais vagas, alegando o professor que enquanto PR deveria ser mais cauteloso.

Contudo, exortou os católicos à intervenção pública, porque «mais vale intervir em excesso cometendo erros a não intervir». E, cingindo-se ao debate em curso sobre a eutanásia, afirmou que defende um «debate longo, sério, exaustivo sobre a matéria», mas que só intervém «no momento oportuno”.

 

Fazendo uma análise sucinta da presença de Marcelo Rebelo de Sousa neste evento, fica um resumo bastante criterioso da democracia gerada após o 25 de Abril, embora não tenha sido dado a ênfase adequada à apropriação da democracia a que os partidos políticos se arrogaram. Sendo este um dos males da nossa democracia, neste momento, foi pena que o PR não tenha posto o acento tónico na questão.

Por outro lado, foi muito positivo o apelo para que os católicos não se desmarquem da vida política. Infelizmente muitos pecam pela ausência, permitindo desta forma que os outros resolvam por eles. O aviso deixado por Marcelo Rebelo de Sousa nesse sentido deve fazer pensar e sensibilizar os cristãos a inverter esta tendência de afastamento, levando-os a uma participação mais activa na vida política nacional.

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