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Portugal
Queremos uma sociedade mais justa
A pobreza será uma fatalidade?
Texto Eduardo Santos | Opinião | 30/10/2016 | 08:16
Portugal está entre os nove países com taxa de pobreza mais alta. Quase um em cada cinco portugueses estava, em 2014, em risco de pobreza (19,5%), de acordo com dados divulgados recentemente pelo Eurostat

A propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que ocorreu no passado dia 17, o gabinete oficial de estatísticas da União Europeia (UE) - o Eurostat, divulgou os dados comparativos da pobreza no espaço europeu. Em síntese este documento indica que 119 milhões de cidadãos europeus ainda vivem em risco de pobreza ou de exclusão social. Em 2014 eram 122 milhões, correspondentes a 24,4% da população do velho Continente.

Verifica-se que a Roménia é o país onde maior número de pessoas está em risco de pobreza (25,4%), seguindo-se a Letónia (22,5%), a Lituânia (22,2%), a Espanha (22,1%), a Bulgária (22%), a Estónia (21,6%), a Grécia (21,4%), a Itália (19,9%) e, por fim, Portugal (19,5%).

 

No nosso país quase um em cada cinco portugueses estava, em 2014, em risco de pobreza (19,5%). Recordamos que a média da UE é de 17,3%. Apesar da ligeira melhoria em 2015, Portugal continua acima da média europeia.

A percentagem da população em risco de pobreza mostra o peso das famílias que em cada país vive com rendimentos abaixo do que está definido como sendo o limiar de pobreza (422 euros mensais, em Portugal). Se ao risco de pobreza se somar o risco de exclusão social, a população portuguesa afectada situa-se nos 26,6% — um pouco acima dos 23,7% da média observada para a UE. O Eurostat nota, a propósito desta média europeia, que depois de vários anos a subir, ela iguala a média de 23,7% registada em 2008.

 

Em Portugal, o risco de pobreza ou exclusão social afecta mais as mulheres (27,3%) que os homens (25,9%); e as crianças e jovens até aos 18 anos (29,6%) mais do que os maiores de 65 anos (21,7%). Abrange 60,5% dos desempregados, mas também 14,8% dos adultos portugueses que trabalham. Os agregados familiares com crianças estão mais expostos a este risco do que aqueles que apenas têm adultos: 27,1% para 26,1%.

Na globalidade 2,76 milhões de portugueses vivem em risco de pobreza depois das prestações sociais, em severa privação material ou quando pertencentes a agregados familiares com intensidade de trabalho muito baixa. Mesmo assim, a percentagem referente a 2015 é mais baixa do que os 27,5% no ano anterior.

 

A realidade portuguesa é alarmante e Vieira da Silva, ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, reconhece isso mesmo ao dizer que Portugal tem «demasiada pobreza», situação que é «urgente» mudar, sendo a «maior prioridade» o combate à pobreza infantil. Numa mensagem, o ministro afirma que «a pobreza muitas vezes quer dizer guerra», «refugiados», «idosos abandonados» e «crianças sem apoio» e «quase sempre quer dizer desemprego» e «tantas vezes quer dizer desigualdade».

«Erradicar a pobreza tem de ser a ambição maior da nossa sociedade, tem de ser a ambição maior das nossas gerações», disse Vieira da Silva, numa mensagem divulgada no «youtube» e no «twitter» oficial do governo e do ministério, para assinalar o Dia Internacional Para a Erradicação da Pobreza.

Ou seja, a radiografia da pobreza em Portugal está feita com objectividade, agora o que é necessário é atacar o problema com seriedade e diminuir o seu impacto na sociedade, já que muito dificilmente será possível erradica-la, como todos desejaríamos.

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