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Traficantes enganam migrantes com falsa ideia da Europa
Texto Francisco Pedro | Foto Lusa | 17/09/2016 | 07:02
Grande parte dos imigrantes que tentam fazer a travessia do Mediterrâneo em direção ao continente europeu são levados a pensar pelos traficantes de seres humanos que na Europa é fácil arranjar trabalho, casa e uma vida melhor
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A maioria dos migrantes que chegam a Tripoli, na Líbia, para daí partirem para o continente europeu, tem uma ideia errada do que os pode esperar na Europa, que muitas das vezes lhes é transmitida pelos traficantes para convencê-los a pagarem preços altos pelas arriscadas viagens através do Mediterrâneo, denunciou o coadjutor do vigário apostólico de Tripoli, George Bugeja.

Em declarações à agência Fides, o prelado revelou que tem sido muito procurado pelos migrantes, carentes de auxílio material e espiritual, e que aproveita sempre para os alertar para os perigos que correm nas travessias e as dificuldades que podem encontrar na Europa. Mas, ainda assim, eles estão dispostos a prosseguir viagem. «Os migrantes que me procuram pedem a bênção para a travessia do Mediterrâneo. Eu procuro dissuadi-los de correr este risco, especialmente quando há crianças. Mas eles estão decididos a prosseguir viagem a todo custo».

Segundo o bispo, estão convencidos que encontram um futuro melhor na Europa, para si e para a sua família, muito por influência dos traficantes. «A maior parte dos migrantes tem uma perceção errónea da Europa, porque os traficantes prometem que ali encontrarão trabalho, poderão ter uma casa e outras coisas, com a única finalidade de depredá-los de suas economias. Para sair dos seus países até Sebha, e depois dali a Tripoli, pagam-se cifras consideráveis em dólares americanos. Depois, para embarcar em barcos rumo à Europa, os traficantes pedem no mínimo mil dólares por pessoa», adiantou.

Para conseguirem o dinheiro necessário para a longa viagem de uma país subsaariano até a Europa, em geral os migrantes trabalham por etapas. «No primeiro troço da viagem até à Líbia pagam com o dinheiro economizado no país de partida, e uma vez em Tripoli, se não têm mais dinheiro, propõe-se a trabalhar para obter a soma necessária para embarcar. Muitos deles acabam no círculo da economia informal ou criminosa. As jovens, principalmente, acabam no mercado da prostituição», explicou George Bugeja, apontando como única solução para a resolução dos fluxos migratórios a ajuda efetiva aos países de origem, para uma melhoria das condições económicas e sociais da população.
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