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Violência sexual e tortura nas rotas de tráfico humano
Texto Francisco Pedro | Foto Lusa | 03/07/2016 | 07:06
Testemunhos recolhidos pela Amnistia Internacional relatam uma arrepiante sério de abusos que se cometem nas rotas de tráfico de pessoas que se dirigem para a Líbia, na tentativa de chegarem à Europa
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São relatos arrepiantes. A Amnistia Internacional (AI) recolheu os testemunhos de 90 refugiados e migrantes em centros de acolhimento italianos, depois de terem atravessado o Mediterrâneo desde a Líbia até ao sul de Itália, e obteve descrições atrozes de atos de violência sexual, homicídios, tortura e perseguição religiosa, cometidos por traficantes de seres humanos, grupos criminosos organizados e grupos armados.

«Desde sequestros, encarceramentos subterrâneos durante meses e abusos sexuais perpetrados por membros de grupos armados, até espancamentos e exploração às mãos dos traficantes de seres humanos, as pessoas refugiadas e migrantes descreveram com escabroso detalhe os horrores que tiveram que suportar na Líbia», explicou Magdalena Mughrabi, diretora adjunta do Programa para o Médio Oriente e Norte de África da AI.

Centenas de milhares de pessoas refugiadas e migrantes, na sua maioria da África subsaariana, viajam para a Líbia para fugir à guerra, à perseguição ou à pobreza extrema, na esperança de refazerem as suas vidas na Europa. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que se encontrem mais de 260 mil pessoas nesta situação, neste momento.

«Ninguém deveria ter que sofrer sequestro, tortura e violação na Líbia, para pedir proteção. A comunidade internacional devia estar a esforçar-se ao máximo para garantir que as pessoas refugiadas não necessitam de fugir para a Líbia. A União Europeia e os governos de todo o mundo deviam aumentar o número de vagas de recolocação e de autorizações humanitárias para pessoas vulneráveis, que têm poucas perspetivas nos países vizinhos, para onde fugiram em primeiro lugar», salientou Mughrabi.

A maioria das pessoas entrevistadas disse ter sido vítima de tráfico. Muitas foram capturadas por traficantes ou vendidas a grupos criminosos. Algumas presenciaram os traficantes a matar migrantes a tiro, outras viram como deixavam morrer as pessoas em consequência de doenças ou maus-tratos. «Quando chegas à Líbia é quando começa a luta. É então que começam a agredir-te», relatou um jovem de 18 anos, oriundo da Somália.
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