+ infoAcontecer
Mundo
«Os missionários têm que ter o cheiro das ovelhas»
Texto Francisco Pedro | Foto Francisco Pedro | 30/05/2016 | 08:31
Tem 64 anos, passou por duas guerras, enfrentou muitas dificuldades, mas bastam dois minutos de conversa para perceber que não se ´alimenta` de lamentações. Para Eudoxa Sicupira, é o futuro que importa. Não o dela, mas o das pessoas que tenta ajudar
imagem

O sotaque brasileiro, condimentado com um sorriso largo, feliz e contagiante, são o primeiro cartão de visita de Eudoxa Sicupira, uma das três missionárias da Consolata que prestam serviço pastoral na Missão de Gambo, na Etiópia. Está há quase três décadas no país africano, mas quem a ouvir falar, fica com a sensação de que chegou agora, tal é o entusiasmo com que anuncia atividades, sonhos e projetos, destinados a ajudar as mulheres a conquistar a dignidade social, que nem sempre lhes é permitida pelas tradições culturais ou pelos hábitos pouco paritários praticados nas comunidades onde se movimentam.


«Existe um índice de analfabetismo muito grande, sobretudo entre as mulheres e meninas que não tiveram oportunidade de ir à escola. Por isso, o meu ideal é trabalhar nas aldeias, porque educar a mulher é educar toda a família e os missionários têm que ter o cheiro das ovelhas», disse a religiosa à FÁTIMA MISSIONÁRIA.

 

Como na Etiópia a Igreja ´oficial´ é a ortodoxa, os católicos e protestantes não podem trabalhar apenas na evangelização. Têm de estar associados a um projeto de desenvolvimento, com financiamento assegurado. É mais uma dificuldade acrescida, mas não um obstáculo à atividade da irmã Eudoxa. Com mais ou menos sacrifício, e com a ajuda das outras religiosas, tem conseguido levar esperança aos lares onde abundam a pobreza e a falta de recursos. Exemplo disso são as duas dezenas de casas construídas o ano passado (para substituir as cabanas de palha), as 280 mulheres adultas que frequentam este ano as aulas de alfabetização, ou as 200 famílias que beneficiam do projeto de micro-crédito, através do qual conseguem comprar animais para criar e vender ou investir em sementes para apostar da produção agrícola.

 

A distribuição destas ajudas não olha à religião. «Tanto ajudamos cristãos, como muçulmanos ou ortodoxos», afirma Eudoxa Sicupira, sublinhando que o seu desejo, como o de qualquer missionário, «é darmo-nos cada vez mais e sermos esse instrumento de consolação e de paz, no meio do povo que sofre».

Qual é a sua opinião?
Login
Email: Palavra-chave:
Esqueceu-se da sua palavra chave?
Registar
Comentário sujeito a aprovação.