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Crianças da Tanzânia querem ir à escola
Texto Elísio Assunção | Foto E. Assunção | 03/01/2016 | 12:04
São mais de meia centena. As crianças acolhem os visitantes com um sorriso. Medem os hóspedes que o missionário da Consolata, Cipriano Mvanda, apresenta. Ao sinal do monitor principiam a cantar na língua materna cânticos de boas-vindas
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Estamos em Mkindu, uma aldeia a cerca de 10 quilómetros de Morogoro, cidade de um milhão de habitantes no sul da Tanzânia. É uma aldeia muito recente – conta apenas cerca de três décadas – cuja população aumenta de dia para dia devido ao rápido crescimento da cidade vizinha. Os habitantes chegam de lugares mais remotos, em busca de meios de subsistência familiar. As infraestruturas da aldeia são praticamente inexistentes. A população conta apenas com a proximidade da estrada por onde escorre um tráfego intenso entre Morogoro e Dodoma, a capital do país. Por aí passam os meios de transporte que facilitam o acesso à cidade. A capela da aldeia é um edifício muito rudimentar e é utilizada para todas as atividades, quando estas não se desenrolam ao ar livre, debaixo das árvores.

Os poucos milhares de habitantes constituem, na sua grande maioria, famílias jovens. Serão umas 600 ou 700, cuja grande preocupação é a educação dos filhos. Procuram a escola – e os cristãos também a catequese – para as crianças. A convivência entre a população é pacífica e amigável, não obstante a diversidade de proveniência, religião e atividades.

Comunidade organizada
Mkindu é uma comunidade da paróquia de Santa Mónica, de Kikonda. Bem depressa será uma nova paróquia, dado o rápido crescimento da aldeia. A assistência religiosa, assim como a organização da comunidade é apoiada pelos Missionários da Consolata, da equipa formativa do seminário propedêutico, situado nas proximidades.
Para organizar e fomentar as iniciativas da vida da aldeia, a comunidade criou a Comissão de Desenvolvimento, formada por uma direção de cinco membros e de cinco conselheiros. Nada é feito sem passar por este grupo que revela grande dinamismo e entusiasmo. Todas as atividades e iniciativas, sejam do catequista, dos missionários ou de qualquer outro agente, têm como ponto de referência e de orientação esta Comissão.

A educação das crianças e dos jovens está confiada ao catequista, que é visto como um autêntico missionário. De facto, reside numa aldeia do outro lado da cidade. Semanalmente, deixa a sua família e desloca-se até Mkindu, percorrendo vários quilómetros de bicicleta. De quinta a segunda-feira, está com a comunidade nas diversas atividades de animação. O reconhecimento da sua dedicação levou a Comissão de Desenvolvimento a construir-lhe uma casa, para habitar durante a sua permanência na aldeia.

Aposta nas crianças
A Comissão está otimista e esperançada quanto ao desenvolvimento e progresso da aldeia, embora reconheça que as dificuldades são muitas. Os seus membros não se poupam a esforços para tentar mobilizar todos os habitantes. Este é o maior desafio: levar a que todos se envolvam nos projetos, promovendo a consciência das responsabilidades derivadas da fé de cada um.

Atualmente as famílias e a Comissão estão preocupadas com a situação das várias dezenas de crianças da aldeia. A maioria dos pais, durante o dia, está ausente na cidade, em busca de trabalho para sustentar a família. Os filhos ficam na aldeia ao cuidado dos idosos ou dos irmãos mais velhos, com apenas dois ou três anos a mais. Por outro lado, as crianças, quando entram na escola, sobretudo nos primeiros anos, passam por graves dificuldades, que se refletem no rendimento escolar. Falam apenas a língua materna e não têm conhecimentos da língua inglesa, obrigatória juntamente com a língua oficial do país, o kiswahili.

A Comissão e os pais estão decididos a ultrapassar estas dificuldades. Começaram a pensar em criar na aldeia a escola pré-primária. Deste modo esperam manter as crianças ocupadas durante o dia e, ao mesmo tempo, permitir-lhes estudar antecipadamente as línguas necessárias para o acesso à escola. Mandaram fazer o projeto para a construção de um edifício simples, mas funcional e adequado ao número de crianças. Ao mesmo tempo começaram a recolher fundos para financiar a construção.

Aproveitando a nossa visita à aldeia, os pais e a Comissão lançam um apelo aos amigos e leitores da FÁTIMA MISSIONÁRIA para colaborarem no projeto de construção do edifício para a pré-primária, contribuindo com um ou mais tijolos para a construção. São necessários sacos de cimento, madeiras, portas, janelas e os móveis para o funcionamento da pré-primária.
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