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Cáritas Europa preocupada com níveis de pobreza
Texto Francisco Pedro | Foto Lusa | 20/02/2015 | 07:06
O terceiro relatório da organização sobre o impacto da crise económica entre as países da União Europeia revela que as políticas de austeridade «não estão a funcionar» e que os níveis de pobreza continuam «preocupantes»
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«Os pobres continuam a pagar por uma crise que não causaram». Esta é a principal conclusão do terceiro relatório da Cáritas Europa sobre o impacto das medidas de austeridade aplicadas nos países da União Europeia (UE), após seis anos de crise económica na Europa. Segundo a organização, as políticas implementadas «não estão a funcionar» e os níveis de pobreza e de privações continuam «preocupantes», sobretudo nos sete países mais afetados: Chipre, Espanha, Grécia, Irlanda, Itália, Portugal, Roménia.

Para os responsáveis da instituição, a UE e os seus Estados membros «continuam a abordar a crise centrado-se, principalmente, nas políticas económicas e nos gastos das políticas sociais». Em consequência, as medidas adotadas «estão a ter um impacto devastador na população europeia, em particular nos sete países mais afetados». E o executivo comunitário acaba por não conseguir «prestar apoio concreto às pessoas com dificuldades, proteger os serviços públicos essenciais e criar emprego, o que contribuirá para o prolongamento da crise».

Com este documento, a Cáritas Europa critica também o discurso oficial, que sugere que o pior da crise económica já passou. «O mundo que documenta este relatório não é justo. E constata, além do mais, que o facto de se ter dado prioridade às medidas de austeridade não solucionou a crise, mas causou problemas sociais que terão um efeito duradouro», refere Jorge Nuno, secretário-geral da organização.

O documento assinala que a crise europeia tem sido especialmente grave para as crianças, pela insuficiência de benefícios, pelos cortes e outras restrições que causaram um efeito negativo nos países que já tinham um alto ou muito alto nível de pobreza infantil e exclusão social. Neste particular, Portugal ocupa o sétimo lugar na lista de países com as taxas mais altas.

A Cáritas Europa defende, por isso, que a luta contra a pobreza familiar e infantil seja considerada uma prioridade para a UE, através de medidas fiscais favoráveis às famílias, de respostas concretas às necessidades especiais das famílias migrantes e de garantias de cuidados familiares adequados.
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