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Portugal
Dúvidas nas metas traçadas pelo governo
Redução da pobreza só com ação concertada
Texto Francisco Pedro | Foto Lusa | 15/10/2014 | 10:26
Responsáveis do setor social consideram «uma utopia» a meta nacional de retirar 200 mil pessoas da situação de pobreza nos próximos seis anos, se não forem alteradas as atuais políticas
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«Gostaria muito que isso fosse verdade, mas tudo o que tem acontecido até agora aponta para que estejamos a falar de uma vã utopia», afirmou o presidente da Cáritas Portuguesa à agência Lusa, esta quarta-feira, 15 de outubro, sublinhando que a meta traçada pelo governo para retirar pelo menos 200 mil pessoas da situação de pobreza, até 2020, é praticamente impossível de alcançar, se não houver uma ação concertada.

Para que este objetivo seja atingido, «é preciso que alguns renunciem a privilégios que têm tido» e que haja uma «maior redistribuição da riqueza existente», sublinhou Eugénio Fonseca, adiantando que a erradicação da pobreza exige «medidas de justiça social», que passam pela criação de emprego, por uma melhor distribuição dos rendimentos e uma maior equidade fiscal.

O presidente da Fundação AMI, Fernando Nobre, também considera difícil alcançar a meta proposta devido à situação económico-financeira do país e ao elevado nível de desemprego. «O desemprego é efetivamente o grande flagelo», disse à Lusa o responsável, frisando que o número de desempregados tem «vindo a descer lentamente», mas nunca é tido em conta que «centenas de milhares de portugueses» deixaram Portugal nos últimos seis anos.

Já o padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), aponta para a necessidade de uma «estratégia séria» para lutar contra o flagelo da pobreza e da exclusão social, que deve passar por uma aposta no ordenamento do território e na educação. Na próxima sexta-feira, 17 de outubro, assinala-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
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