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Fátima
Jantar-conferência do MASE
Formação é essencial para evitar maus restauros de obras de arte
Texto Juliana Batista | Foto Ana Paula | 30/04/2014 | 12:01
Os exemplos de maus restauros de imagens religiosas indicam que é importante apostar na formação. Para Sandra Costa Saldanha, as ações de formação deverão chegar a todas as pessoas que lidam com o património da Igreja
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Os casos de maus restauros, que não respeitam a autenticidade das imagens religiosas, estiveram em foco em mais uma edição da iniciativa jantares-conferência, promovida pelo Museu de Arte Sacra e Etnologia (MASE), na última terça-feira, 29 de abril, no Hotel Pax. Em Fátima, Sandra Costa Saldanha, diretora do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, conduziu uma palestra sobre «O culto das imagens – conservação, restauro, e algumas perversões».

Aos presentes, a também professora convidada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra apresentou exemplos de intervenções que «alteram o significado das obras de arte». Segundo a responsável, as «más intervenções» nas peças são realizadas por pessoas não qualificadas e sem um «acompanhamento técnico».

Após um mau restauro as peças apresentam algumas características comuns: «brilham imenso», ficam com um aspeto «colorido e animado», as imagens «perdem as expressões transformando-se em bonecos» e aparentam estar «retocadas e maquilhadas». Para combater este problema, a responsável disse que a sensibilização e a formação nesta área são fundamentais.

«As formações têm de ser destinadas às pessoas que lidam com o património. Têm de ser feitas na igreja e devem dirigir-se à zeladora, ao guardião da igreja, à comissão fabriqueira, ao sacerdote, às pessoas que limpam o altar e o chão com detergente, que pegam nas jarras, que borrifam as flores ao pé da talha», exemplificou.

Mas a diretora do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja não ficou por aqui. Sandra Costa Saldanha afirmou que existe outro espaço onde esta formação deverá chegar: os seminários. «É insuficiente a formação nos seminários. Os próprios sacerdotes reconhecem que aquilo que ouviram falar sobre estas matérias foi pontual», disse a docente, salientando que os religiosos são os «guardiões, os zeladores e os responsáveis pelo vastíssimo património» da Igreja.

Não passando ao lado dos casos de boas práticas, Sandra Costa Saldanha alertou ainda para importância da inventariação das peças e elogiou o trabalho que está a ser realizado por algumas dioceses portugueses como a do Porto, Évora e Beja. A terceira edição da iniciativa jantares-conferência está já agendada para o dia 16 de maio. Após o jantar, a conferência será conduzida por Davi Kopenawa, líder indígena Yanomami (Brasil) com o tema «Ecologia e espiritualidade Yanomami».
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