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República Centro-Africana
População procura refúgio na missão de Bangui
Texto Francisco Pedro | Foto Lusa | 09/12/2013 | 15:31
Os confrontos na capital da República Centro-Africana levaram perto de 2.000 pessoas a fugir de casa e a procurar asilo na missão dos carmelitas. Missionários estão sem capacidade para assegurar as refeições a todos os deslocados
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«Estamos a tentar dar de comer a toda esta gente, mas será difícil porque não podemos sair para comprar nada. Já esvaziamos a horta e o galinheiro. Não prevíamos alimentar 2 mil pessoas», lamentou o padre Federico Trinchero, num grito de alerta para a situação dos deslocados que procuraram refúgio na missão dos carmelitas, em Bangui, depois dos violentos confrontos da semana passada, entre os rebeldes do Seleka e as milícias anti-Balaka. Mais de 300 pessoas morreram.

«Não temos nada para dar a estas pessoas», diz, por sua vez, o padre Anicet Assingambi, da paróquia São Carlos de Lwanga, em Bangui. «As suas casas foram saqueadas, eles choram os mortos. As crianças choravam quando chegaram à igreja. Cantamos hinos e orações para tentar acalmá-los. Nunca vimos nada tão cruel», adianta o sacerdote, citado pela agência Fides.

Em Bossangoa, no norte do país, a Cáritas teme também pela segurança de cerca de 40 mil pessoas acampadas nas redondezas da missão católica e de outras 1.600 refugiadas numa escola. Na sexta-feira passada, 6 de dezembro, uma rajada atingiu a missão, mas não provocou vítimas. A Igreja centro-africana lançou um apelo para o cessar-fogo imediato e para que seja permitida a passagem de ajudas humanitárias e socorros imediatos.

Esta segunda-feira, 9 de dezembro, os soldados franceses mandatados pelas Nações Unidas para apoiar a força africana mobilizada para restabelecer a ordem no país, começaram a desarmar as milícias em Bangui, numa operação que tem decorrido sem incidentes, informou o Estado-Maior das Forças Armadas da França. Os franceses têm cerca de 1.600 soldados na República Centro-Africana.
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