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Comentário ao Evangelho do Trigésimo Domingo Comum - 27 de outubro
Dois estilos de oração
Texto Comentário | Patrick Silva | 25/10/2013 | 08:29
Neste caminho em que acompanhamos Jesus até Jerusalém, há tempo para mais uma parábola. Jesus amava este estilo de «ensinar». Um modo simples, eficaz e que os seus ouvintes entendiam
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Como quase sempre acontece, as parábolas têm uma intenção muito precisa. Desta vez, é dirigida aos que se consideravam justos e desprezavam os outros. O contexto continua a ser a oração, tema que nos tem acompanhado nos últimos domingos, só que agora é o estilo de uma oração que não chega até Deus: a oração daquele que se considera justo e perfeito. A parábola apresenta duas pessoas que se dirigem ao templo para rezar, um deles é um fariseu o outro um publicano.

Os fariseus eram um grupo religioso que seguia fielmente a lei de Moisés, gente que vivia seriamente a sua fé. Do outro lado, os publicanos eram considerados pecadores públicos, pois colaboravam com o império romano, cobrando os impostos ao povo. Se quisermos simplificar, poderíamos dizer que temos uma pessoa boa e uma má (em termos muito humanos) que vão ao templo para rezar. Ora seria de esperar que a oração da pessoa boa fosse atendida, enquanto que a outra fosse rejeita, só que não é bem assim que acontece.

O fariseu (pessoa supostamente boa) reza apresentando a Deus tudo aquilo que o faz «melhor« do que as outras pessoas. Ou seja, Deus não tem alternativa em considerá-lo perfeito e, portanto, merecedor de entrar no Reino. No fundo quem faz tudo é ele, Deus apenas deve aceitar o fato. Ao contrário, o publicano numa atitude muito diferente, mantém-se à distância, reconhece que cometeu muitas falhas, sente-se pequeno perante Deus e, por isso, pede-Lhe que tenha compaixão.

A conclusão de Jesus é que este último regressa a casa «justificado» enquanto que o outro não. Para ambos dá mesmo o motivo: «Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». A catequese de Jesus recorda que a salvação não é uma conquista humana, mas sim uma oferta (uma graça) que vem de Deus. A atitude do fariseu é a de uma pessoa que se sente autossuficiente, que na verdade não precisa de Deus, pois através do seu esforço já fez tudo o que tinha a fazer para alcançar a salvação, a qual lhe é devida.

Ao contrário, a atitude do publicano é a de quem reconhece que se não fosse por Deus era impossível por si só alcançar a salvação, portanto, confia na compaixão de Deus. O Evangelho coloca o alerta para uma atitude que muitas vezes está dentro de nós, que é a de pensarmos que obedecendo às leis e preceitos, temos «entrada garantida» no Reino de Deus. Deus não é um contabilista que anota as nossas boas e más ações e no final faz as contas, mas é um Deus que sente compaixão e oferece a salvação para todos os que de coração humilde se aproximam.

Mas o Evangelho também não quer dar a entender que basta declararmo-nos «pecadores» e então Deus terá compaixão, porque muitas vezes é-nos muito fácil declarar que somos «pecadores», mas dentro de nós permanece a ideia de que não somos os piores dos «pecadores», que tem gente muito mais «pecadora» do que nós e tal nos serve de consolação para continuar a nossa vida da mesma forma de sempre.
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