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A nova face da Igreja
Texto Eduardo Santos | Opinião | 01/09/2013 | 07:17
Papa Francisco continua a surpreender tudo e todos, mesmo os mais avisados. A sua postura está a renovar a face da Igreja católica nos pequenos e grandes pormenores. Agora foi internamente na própria administração do Vaticano
Renovação de pessoas e estruturas, procurando obter mais eficácia no papel da Igreja, parece ser o caminho traçado por Papa Francisco desde que assumiu a cadeira de Pedro. De acordo com o L’Osservatore Romano – jornal oficial do Vaticano – o Papa acaba de nomear o Cardeal italiano Pietro Parolin, que era núncio apostólico na Venezuela, como novo secretário de Estado do Vaticano, substituindo no cargo Tarcisio Bertone. Este cargo executivo superintende todas as atividades da administração da Igreja e é considerado o mais importante imediatamente a seguir ao Papa, o que revela a enorme visibilidade que a função e a pessoa do cardeal têm na estrutura do Vaticano. O seu predecessor, Tarcisio Bertone, foi muito contestado por diversos setores dentro e fora da Igreja.

 

Sendo uma escolha pessoal do Papa Francisco, será interessante determo-nos um pouco sobre a proveniência e o percurso do novo secretário Pietro Parolin. Nascido em 1955 no seio de uma família simples, mas profundamente católica, o pai tem uma loja de ferramentas - e vende máquinas agrícolas - e a mãe é professora do ensino básico. Entrou no seminário em Vicenza, aos 14 anos, tendo sido ordenado sacerdote em 1980. Estudou mais tarde na Pontifícia Universidade Gregoriana e, em 1983, entra na Pontifícia Academia Eclesiástica. Forma-se no ano de 1986 em direito canónico na Gregoriana e entra no serviço diplomático da Santa Sé em 1986, onde desempenhou missões muito importantes. Em 30 de novembro de 2002, João Paulo II nomeia-o subsecretário do Departamento para as Relações com os Estados, da Secretaria de Estado, cargo que desempenha por quase sete anos. A 17 de agosto de 2009 Bento XVI nomeia-o arcebispo titular de Acquapendente e núncio apostólico na Venezuela.

 

O Sumo Pontífice Francisco continua a fazer um trabalho árduo, e que certamente será longo, mas com as decisões que tem tomado está a criar uma nova mentalidade dentro e fora da Igreja. Os princípios são os mesmos, mas os métodos e a sua aplicação é mais terra a terra, mais adequados aos novos tempos. Um dos padrões pelos quais se rege é a simplicidade, ao ponto de tal se refletir nas escolhas que tem feito. O novo secretário de Estado é uma prova disso.

A Igreja, que tem uma história de dois mil anos repleta de boas e más decisões, parece ter entrado agora num caminho mais linear, onde predomina o desejo permanente de servir o homem, sem perder as suas raízes cristãs. Durante séculos a Igreja aliou-se ao poder, e até o exerceu no seu interior, mas caminha a passos largos para separar o trigo do joio. A sua missão vai para além do temporal e precisava de refrescar os conceitos de atuação, tal como Papa Francisco está a fazer. O processo passa pela preferência da pessoa em contraposição aos interesses materiais que pululam na sociedade e até mesmo dentro da Igreja.

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